Todos os meses os alunos publicam um comentário sobre um livro que tenham lido.
Uma atividade promovida pela Prof. de Português Agostinha Araújo.
Escolhi apresentar à turma Aprendiz do Vilão, de Hannah Nicole Maehrer, pois é um livro com uma leitura leve, rápida, envolvente, divertida e emocionante. Mistura fantasia,
romance e humor. Mostra-nos o lado humano e carismático dos vilões e que estes também se apaixonam. Além disso, a protagonista de Aprendiz do Vilão é uma personagem com quem
nos conseguimos identificar facilmente.
A ação passa-se no reino fictício de Rennedawn, num tempo indefinido, num mundo de fantasia com estilo medieval e traços modernos.
Evie Sage é uma jovem comum, mas com uma beleza extraordinária e chamativa, que, depois de perder o emprego, aceita um cargo inesperado: tornar-se assistente pessoal do
Vilão mais temido do reino de Rennedawn. Apesar do perigo, Evie descobre que o trabalho envolve muito mais papelada, organização e tensão romântica, do que batalhas épicas.
Enquanto se adapta à vida no castelo do Vilão, percebe que nem tudo é o que parece: o Vilão é misterioso, e também justo e protetor. Juntos, enfrentam ameaças, traições e
conspirações, e Evie começa a questionar quem são realmente os heróis e os vilões da história. Evie torna-se aprendiz do vilão mais temido do reino. Aprende o trabalho e
os segredos do vilão, o que indica uma relação de proximidade e crescimento entre os dois desde o primeiro livro da coleção (“Assistente do Vilão”).
Recomendo a obra Aprendiz do Vilão, uma vez que nos proporciona uma leitura muito rápida, acessível e com uma linguagem descontraída. Apesar de ser uma narrativa divertida,
aborda temas como as escolhas pessoais e a autodescoberta. A protagonista feminina é forte e independente, o que pode sempre inspirar os leitores. É uma leitura ideal para os
amantes de histórias criativas e fora do normal.
Classificação da obra: 10/10 pontos.
Escolhi o livro Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski, para apresentar à turma, porque é uma história curta, mas muito intensa e cheia de emoção. Gosto da forma
como o autor explora os sentimentos e a solidão da personagem principal, temas que acho interessantes e fáceis de perceber. Além disso, a obra tem uma escrita bonita e
poética, o que torna a leitura agradável. Penso que é uma boa oportunidade para partilhar com os colegas uma obra diferente e que nos faz pensar sobre os sonhos e a realidade.
Em Noites Brancas, o narrador conta a história de um jovem solitário, conhecido apenas como o Sonhador, que vive em São Petersburgo, mergulhado nos seus próprios sonhos
e fantasias. Durante quatro noites de verão, conhece Nástienka, uma jovem que também vive marcada pela solidão e pela esperança. À medida que partilham conversas e confidências,
nasce entre os dois uma ligação profunda e emotiva. No entanto, a realidade acaba por se impor, mostrando o contraste entre os sonhos e a vida real.
O título Noites Brancas refere-se às noites claras de verão em São Petersburgo, um fenómeno que faz as noites parecerem tão claras quanto os dias e que confere à cidade
uma atmosfera onírica. Elas simbolizam um tempo especial e passageiro, onde os sonhos e os sentimentos das personagens ganham força, mas que acaba por desaparecer com a chegada
da realidade.
Recomendo a leitura de Noites Brancas a um amigo, pois trata-se de um livro que, apesar de uma escrita complexa, nos dá a entender sem dúvidas os sentimentos do
Sonhador sobre a linha ténue que separa o amor da incerteza. Noites Brancas é um livro que cativa muito!
Classificação da obra: 8/10 pontos.
Eu escolhi apresentar à turma a obra Rivais Divinos, de Rebecca Ross, pois é o primeiro volume da minha duologia favorita. Este foi um daqueles livros em que eu
peguei e que manteve a minha atenção presa até à última página. Escolhi-o também porque, como mistura tanto romance como fantasia, pensei que a maior parte da turma iria
gostar, e porque as pessoas que eu “convenci” a ler esta história a adoraram.
Após a sua vida ser virada de pernas para o ar e durante uma guerra entre dois deuses, que há muito se julgava estarem adormecidos, ou mortos, Iris tenta reconstruir a
sua vida, agora sem a presença do seu irmão, que partiu para lutar pela causa de Enva. Enquanto Iris procurava um novo emprego, para se sustentar a si e à sua mãe alcoólica,
ela conhece Roman Kitt, que compete com ela pela vaga para o jornal da cidade de Oath, o Gazette.
No meio do caos, Iris começa a escrever e a guardar cartas para o seu irmão, desaparecido na guerra, que misteriosamente desaparecem e vão parar a casa de alguém chamado
“C”. Os dois mantêm correspondência e o anonimato, até serem obrigados a revelar as suas identidades, devido à imprevisibilidade das suas vidas.
Este livro intitula-se “Rivais Divinos” porque as personagens principais, inicialmente, são dois rivais que competem para a mesma vaga de emprego, enquanto duas divindades
estão em guerra, surgindo daí o adjetivo “divinos”.
Eu já recomendei e recomendaria novamente Rivais Divinos aos meus amigos, porque, no primeiro momento em que eu comecei a ler as palavras deste romance, eu senti que fui
imediatamente transportada para um universo diferente, um lugar fantástico e de conforto.
Classificação da obra: 9/10 pontos.
Eu escolhi apresentar à turma Percy Jackson e o mar dos monstros, de Rick Riordan, porque, embora não seja “famosíssimo” ou super complexo de perceber, este livro
marcou-me pela sua história, pelas personagens carismáticas e pela forma como consegue misturar mitologia grega (que hoje é vista pelos jovens como algo “arcaico”)
com a vida moderna.
Percy Jackson é um miúdo corajoso e impulsivo, que mostra muitas vezes o seu lado mais vulnerável ao leitor. É filho de Poseidon. Percy descobre que o acampamento para
semideuses corria perigo, pois a árvore mágica que a protegia, Thalia, tinha sido envenenada por alguém, deixando o local completamente vulnerável a ataques de monstros.
Não descobre só isso, mas também que o seu amigo Grover estava preso numa ilha e precisava da sua ajuda para sair de lá. Com a colaboração dos seus amigos Annabeth e
Tyson, Percy arranja maneira de curar a árvore e salvar Grover.
“O mar dos monstros” é o nome do lugar onde se encontrava a cura para a árvore envenenada e, coincidentemente, onde Grover estava preso, ou seja, é o local mais importante
da missão atribuída a Percy e onde acontece metade da história, o que justifica o título da obra.
Eu recomendo a leitura de Percy Jackson e o mar dos monstros, pois fala de temas interessantes, como a parte da mitologia, e é um livro fácil, agradável e rápido de ler.
Para além disso, recomendaria a leitura deste maravilhoso romance só para ter alguém com quem discutir sobre ele.
Classificação da obra: 9/10 pontos.
Da autora dos bestsellers Isto Acaba Aqui e Se Fosse Perfeito, Corações Feridos dá-nos a conhecer Beyah, uma jovem com uma vida cheia de obstáculos, que só pode contar
consigo própria para alcançar um futuro melhor. Mas a poucos meses de concretizar os seus planos e deixar para trás um passado que preferia esquecer, um acontecimento
inesperado obriga-a a seguir um novo rumo e procurar a única saída possível. É assim que, de um momento para o outro, se vê na Península Bolivar, no Texas, a passar
os meses de verão com o pai, que mal conhece, decidida a deixar avançar os dias sem levantar “grandes ondas”.
Tudo muda quando conhece Samson, o vizinho da casa ao lado, que exerce sobre ela um estranho fascínio, apesar de nada terem em comum, pois ela vem de uma vida de pobreza
e negligência e ele de uma família rica e privilegiada. No entanto, a convivência fá-los perceber que, apesar das suas diferenças, há uma tristeza inerente que os une e
atrai. É inegável que a ligação entre eles é intensa, mas os dois já traçaram o seu rumo e não querem perder o pé numa relação sem futuro. Só não estavam à espera de que
a corrente pudesse arrastá-los para um mar profundo de emoções…
O título Corações Feridos reflete os temas centrais: dor emocional, traumas do passado e o processo de cura. Na história, tanto Beyah como Samson carregam feridas profundas
que marcam as suas vidas, por isso, este título representa as dores invisíveis que eles enfrentam: perdas, segredos familiares e sentimentos de culpa, mas mostra também que,
mesmo que as personagens estejam partidas por dentro, existe cura.
Eu recomendo a leitura deste romance, porque ele retrata situações que muita gente pode passar na vida real; a autora consegue tratar temas delicados, como abuso, trauma e
identidade. A sua escrita é intensa e fluída e é capaz de fazer o leitor rir e chorar.
Para aguçar a curiosidade de possíveis leitores, aqui fica um excerto de que gostei especialmente: “- Não preciso de saber mais nada sobre o teu passado para perceber que
és uma boa pessoa. Consigo vê-lo através das tuas ações e da forma como me tratas. Por que motivo haveria de me importar o tipo de família que tens, ou quão rico és, ou o
que significaram as pessoas do teu passado antes de nos conhecermos? - És demasiado duro contigo mesmo.”
Classificação da obra: 10/10 pontos.
Escolhi para apresentar à turma o romance A História Secreta, de Donna Tartt, porque já o li mais do que uma vez, me sentindo segura, assim, para falar sobre o mesmo,
e porque gosto de uma leitura mais literária e menos comercial, que mergulhe em conceitos como a beleza, a culpa, o isolamento e a obsessão.
Um grupo de estudantes inteligentes, excêntricos e rebeldes de uma escola em Nova Inglaterra frequentada por alunos oriundos da nata da sociedade norte americana, sob
a influência de um carismático professor de estudos clássicos, descobre um novo modo de pensar e viver, totalmente diferente do dos colegas. Só que, quando os limites
da normalidade moral são ultrapassados, as suas vidas alteram-se totalmente e, para eles, torna-se tão fácil viver como matar…
O título “A História Secreta” refere-se à narrativa envolvida em mistério que é contada ao longo do livro (uma história oculta por trás dos factos). Ele sugere a existência
de uma verdade sombria escondida atrás dos acontecimentos aparentemente normais da vida universitária das personagens. Essa “história secreta” é, na verdade, o assassinato
cometido por um grupo de estudantes e tudo o que levou até esse crime (os segredos, as motivações filosóficas e morais e as consequências disso tudo). O título cria, também,
uma atmosfera de mistério.
Recomendo a leitura deste livro, por causa da sua atmosfera envolvente e única, da narrativa inteligente e introspetiva, da complexidade (e ambiguidade) das personagens e
porque o mistério não depende de reviravoltas “baratas” (o foco não é “quem matou?”, mas sim “por que mataram?” e “o que isso fez com eles?”).
Classificação da obra: 10/10 pontos.
O livro da minha vida foi aquele que me fez passar a tarde toda a lê-lo. Trata-se de “Carta de uma desconhecida”, de Stefan Zweig, que traça um profundo retrato psicológico de uma mulher que amou sem ser amada, que viveu a sua vida dedicando-a a outra pessoa. Esta obra é uma relíquia literária onde o autor descreve com mestria os sentimentos humanos e o drama das suas contradições.
Ouvi falar algumas vezes sobre este livro e a curiosidade levou-me a comprá-lo. Posso dizer hoje que não tenho arrependimento em tê-lo feito. Se recomendaria este livro? Com toda a certeza! Durante a minha leitura, conseguia posicionar-me na pele da protagonista e criar empatia e um grande laço com a mesma, sem falar no impacto que isso teve durante o meu processo de leitura. As nossas emoções tornam-se as da protagonista.
Posso, então, afirmar que “Carta de uma desconhecida” é, sem dúvida, o livro da minha vida, tendo apreciado o mistério que envolve aquela paixão, mantendo-nos entretidos, descobrindo pouco a pouco o segredo da autora da carta que começa com as misteriosas palavras: “Para ti que nunca me conheceste”.
Recomendo vivamente a leitura de “Carta de uma desconhecida”, de Stefan Zweig!
No âmbito de estudo da 2.ª Guerra Mundial e da perseguição e genocídio dos judeus, eu assisti ao filme “O Diário de Anne Frank”, uma adaptação do livro que tem o mesmo nome. Como penso que será óbvio para todos, o livro é sempre melhor do que o filme, o que me despertou interesse pelo mesmo, tornando-o, depois da sua leitura, “o livro da minha vida”.
“O Diário de Anne Frank - versão definitiva” fala sobre uma menina, Anne Frank, nascida a 12 de Junho de 1929, na Alemanha, no seio de uma família judaica. Infelizmente, depois da tomada nazi, a sua família fugiu para Amesterdão, na Holanda. Porém, 10 anos depois, Amesterdão também é dominado pelo poder nazi. Assim, a sua família, uma família amiga dos Frank (pai, mãe e filho, com quem Anne vive um pequeno romance) e o dentista da família- que se junta um tempo depois- refugiam-se num anexo escondido na empresa do pai. Acabam por morar aí durante quatro anos, até que a presença deles é denunciada por alguém próximo da família.
Toda a experiência de descoberta de si mesma e do mundo é registada num diário que Anne recebeu no seu aniversário de 13 anos. Todos aqueles que se escondiam no anexo , exceto Otto Frank, morrem. Como sabia que o desejo da sua filha era publicar o seu diário e tornar-se uma escritora famosa, Otto, depois de sair do campo de Bergen-Belsen, publica o diário que lhe foi entregue por uma das suas funcionárias.
Foi muito angustiante ler este livro, principalmente porque na altura eu tinha a mesma idade de Anne, e saber que uma recém-adolescente não conseguia ver o sol, muito menos viver a sua vida, mostra que nós, muitas vezes, reclamamos “de barriga cheia”. No meu caso, eu não aguentaria metade do que Anne Frank suportou. Ver Anne viver um pequeno romance deu-me uma réstia de esperança, por saber que ela não foi totalmente infeliz.
Uma linguagem simples, todas as discussões de família e peripécias que aconteciam no pequeno anexo, Anne e a sua personalidade à frente do seu tempo, são ingredientes que nos cativam de tal maneira que só conseguimos parar de ler quando, obviamente, o livro acaba.
Recomendar este diário é totalmente desnecessário, mas, caso a empatia despertada por esta história não seja suficiente para fazer ler o livro, digo que conhecer a história pormenorizada de Anne, o seu mundo, e de todos aqueles que a rodeavam, fez-me mudar a minha perspetiva sobre a vida e tudo que faz parte dela.
De todas as obras eu já li, sem dúvida que nenhum livro me cativou tanto como "Vento Suão", de Rosa Lobato de Faria. Cheguei até este romance através da minha professora de Literatura Portuguesa, que mo aconselhou. Na hora de escolher, com toda a certeza, levá-lo-ia para uma ilha deserta.
Quando faleceu, a 2 de Fevereiro de 2010, Rosa Lobato de Faria deixou inacabado este Vento Suão. Nesta história, acompanhamos duas mulheres, amigas de infância, Sofia e Luísa, que com o passar dos anos perdem o contacto. Completamente diferentes no feitio, sonhando ambas com príncipes encantados, uma vive uma dura traição, outra violência doméstica, mas mesmo assim ama o marido como ninguém. O "Vento Suão" é um vento que transforma completamente o homem da casa, tornando-o demoníaco…
Quanto ao final, sim, gostaria bastante de saber como a autora pretendia terminar a história, mas fica no ar a decisão para o leitor do fim adequado, juntando as peças do primeiro capítulo do livro.
Apesar de inacabado, "Vento Suão" faz todo o sentido, tem princípio, meio e pode dizer-se um fim aceitável, portanto, acho que foi o mais acertado publicar o livro tal e qual a escritora o deixou. A história foi deixada inacabada, mas apesar da palavra fim não aparecer escrita no manuscrito, esta história tem um "final" que deixa o leitor, ao mesmo tempo, intrigado por saber que nunca vai conhecer como a história termina e entusiasmado por ter essa noção. É um "final" que deixa lugar à imaginação! E por isso eu recomendo a leitura de "Vento Suão".
“Durante a Queda Aprendi a Voar” é o sexto romance de Raul Minh’Alma. Foi publicado em Novembro de 2021 e já vai na segunda edição.
Quando Teresa recebe a notícia de que o pai tem uma depressão, está longe de imaginar que os próximos tempos serão os mais intensos e transformadores da sua vida. Determinada em ajudar o pai, Teresa começa a acompanhá-lo nas terapias de grupo numa clínica de saúde mental. É aqui que conhece Duarte, o irmão de um paciente internado na clínica, cujo passado permanece envolto em mistério. Ela é resoluta e pragmática, ele romântico e brincalhão, mas, apesar das diferenças, o destino insiste em tentar juntá-los. Tudo se complica quando Teresa começa a ter inexplicáveis pressentimentos e visões. Será que ela é capaz de prever o futuro? E será que Duarte faz parte dele?
Comecei a ler este livro depois de ter lido ‘Foi Sem Querer Que Te Quis’ e estava muito expectante. Imaginava que a história ia ter um romance entre o Duarte e a Teresa e não me enganei. Cá está o cliché, porém, este foi dos poucos que encontrei, o que é ótimo, pois denota um “crescimento” por parte do autor.
Raul Minh’Alma mostra-nos algumas formas de terapia utilizadas, não só no tratamento da depressão, como também dos mais distintos transtornos mentais e dá especial destaque à importância que o seio familiar tem para os pacientes.
A relação entre a Teresa e o pai é deliciosa pela sua cumplicidade, que vai aumentando à medida que juntos passam pelo problema da depressão, uma doença que é invisível e que, por isso, muitas vezes, é diagnosticada já numa fase muito avançada, o que dificulta todo o seu processo terapêutico.
O final deixou-me boquiaberta (já começo a ficar habituada às partidas que o Raul gosta de pregar no final dos livros). Não contava com o desfecho que teve, mas gostei bastante, pois foi uma forma brilhante de mostrar como um pai é capaz de fazer tudo pelo bem-estar da sua filha, mesmo sem ela o saber, e como a depressão é mesmo uma doença que ataca sem que uma pessoa se aperceba.
Aquilo de que mais gostei neste livro foi o facto de tratar de um problema tão grave e tão pouco falado, que é a saúde mental. Considero que existe ainda um grande estigma na sociedade para com as questões mentais. Afinal, ninguém diz que vai a um psicólogo ou a um psiquiatra com a mesma ligeireza de espírito com que diz que vai ao dentista. E porquê? Era um bom tema para outro livro do Raul, quiçá uma continuação deste (fica aqui a sugestão).
Em suma, “Durante a Queda Aprendi a Voar” é uma verdadeira montanha-russa de emoções que nos apanha completamente de surpresa. Aconselho muito este livro, porque, apesar de ser um pouco cliché, trata de assuntos muito importantes como, por exemplo, a saúde mental.
“Toda a minha vida era medida em verões. Como se não começasse efetivamente a viver enquanto não chegasse Junho, até estar naquela praia, naquela casa.” Esta afirmação, referida por Jenny Han, em “O verão em que me apaixonei, foi uma das muitas frases que levou a que esta obra ocupasse um lugar na minha lista de livros prediletos.
O romance da escritora norte-americana, lançado em 2017, conta a história de Belly, de 16 anos, para quem os invernos são insuportáveis e sinónimo de estar longe de Jeremiah e Conrad, os rapazes que ela conhece desde criança, os seus melhores amigos. Além disso, para Belly tudo o que acontece de bom e mágico é durante o verão.
Desde pequena, Belly nutre uma paixão secreta por Conrad, o irmão mais velho dos dois amigos. No entanto, Conrad apenas a vê como uma amiga.
No verão em que Belly completa 16 anos, as coisas começam a mudar. Ela está cada vez mais próxima de Jeremiah e começa a questionar os seus sentimentos por Conrad. Durante esse tempo, várias situações acontecem na casa de praia e, consequentemente, antigas memórias e tensões familiares mal resolvidas vêm ao de cima. Por esse motivo, Belly e Conrad começam a compartilhar momentos únicos. Porém, Conrad continua confuso em relação aos seus pensamentos, o que deixa Belly insegura.
Enquanto isso, Jeremiah esteve sempre ao lado de Belly, nos piores e nos melhores momentos, demonstrando o seu amor e apoio incondicional. Então, ela começa a perceber, que talvez Jeremiah seja tudo o que sempre procurou, mas será que é tarde demais para desistir de Conrad?
Na minha opinião, este livro apresenta uma narrativa fluida, o que permite ao leitor conectar-se facilmente com as personagens e acompanhar as suas vivências ao longo do verão. Recomendo este livro porque aborda temas como o amadurecimento, a amizade e o primeiro amor.
O livro da minha vida é aquele que me deixou a pensar, é aquele que me abriu os olhos e me fez entender melhor o mundo atual, é o "1984", escrito por George Orwell.
“1984” é um romance cuja narrativa é passada em Londres, no ano de 1984. O protagonista é Winston Smith. Ele trabalha no Ministério da Verdade, é um dos funcionários responsáveis pela propaganda e reescrita do passado e a sua função é reescrever os jornais e documentos antigos, de modo a apoiar o partido que se encontra no poder. O que não pode ser reescrito é destruído, essa é a maneira que o Estado encontra para se anter no poder. Winston é membro do Partido Externo e detesta o seu trabalho e o governo. O governo é regido pelo Grande Irmão, um ditador e líder do Partido. Apesar de nunca ter sido visto pessoalmente, o Grande Irmão tudo vê e tudo controla. No Estado já não existem leis e todos devem obedecer.
O romance"1984" começou a ser escrito no início da Guerra Fria, sendo que a narrativa é fruto de um contexto histórico marcado por disputas políticas e ideológicas. O enredo apresenta as guerras constantes como uma forma premeditada de manter os privilegiados no topo, através do domínio das classes mais baixas, revelando-se, acima de tudo, um alerta sobre o poder que corrompe. Por outro lado, a obra deixa uma visão bastante negativa sobre aquilo que poderia ser o futuro da humanidade, caso ela viva em sociedades que misturam autoritarismo e tecnologia destinada à vigilância. Recorde-se que "1984" saiu da imaginação de um autor que viu a ascensão de vários regimes ditatoriais.
Por fim, "1984" é um livro que me despertou bastante interesse pelo facto de condizer com algumas situações do mundo atual, como a ganância pelas coisas materiais ou o poder, dando o exemplo de uma guerra que está a acontecer atualmente. Este foi, é e será o livro da minha vida.
De todas as obras-primas que já li, nenhuma me fascinou tanto como “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostóievski. Companhia nas noites escaldantes de agosto, este livro revelou-se uma das melhores surpresas das minhas férias de verão.
Há, neste romance do escritor do século XIX, culpa e redenção. Na figura de Raskolnikov, um estudante que vive na miséria, Dostóievski define a alma humana. Através do crime que a personagem comete, o autor estuda as profundezas do abismo da consciência moral, explorando e criticando, paralelamente à ação, a mentalidade da decadente sociedade russa de então.
A ação do livro desenrola-se na cidade de São Petersburgo, na Rússia, no final do século XIX. O crime que Raskolnikov comete é o assassinato de uma velha usurária que maltrata a sua irmã mais nova e empresta dinheiro a juros altíssimos, subsistindo à custa da exploração dos mais pobres e indefesos. Convencido de que o que faz é correto, atendendo ao carácter frio e calculista da vítima, mata-a, mas, uma vez perpetrado o delito, o arrependimento e a vergonha do que fez assola-o, destruindo a sua sanidade mental.
A intriga é fácil de seguir. Desde o começo que cativa o leitor e depressa se torna alucinante. Nela, os sentimentos mais densos e profundos do ser humano são explorados e levados ao limite, incluindo os do leitor, pois “o poder de assombro do escritor é muito superior à resistência nervosa de uma inteira organização médica”, tal como refere E. M. de Vogüé, na sua crítica à obra.
A escolha deste livro deve-se à escrita simultaneamente simples e rica, à descrição exata e sublime de todos os espaços, ao drama complexo e à exploração das características e dos limites das personagens. O monumental ensaio sobre os vícios humanos e as causas e efeitos das suas ações, são, do meu ponto de vista, deveras interessantes e dão à obra um carácter mais filosófico, levantando problemas que são extremamente atuais.
Por ser um livro que possui um vocabulário simples, mas cuidado, e onde não falta drama, suspense, crítica e psicologia, recomendo vivamente a sua leitura. A não perder!
“Eu precisava que a versão imaginária do meu mundo fosse mais sombria do que o meu mundo real. Caso contrário, eu teria desejado deixar os dois”.
Esta afirmação, referida por Colleen Hoover em “Verity”, foi uma das inúmeras que levou a que esta obra ocupasse um lugar predileto na lista de livros que mais me marcaram.
O romance “Verity”, da escritora norte-americana, Colleen Hoover, lançado em 2019, relata a história de Lowen, uma escritora que aceita a proposta de terminar a série de livros de uma escritora de renome, Verity, a qual se encontra incapacitada para o fazer. Este trabalho leva Lowen a mudar-se temporariamente para a casa de Verity, onde passa a conviver diariamente com Jeremy, o marido de Verity. Com o passar dos dias, Lowen, enquanto procurava materiais e ideias para completar as obras no escritório de Verity, depara-se com a autobiografia inacabada da autora, na qual são relatados episódios sombrios e confissões capazes de provocar enorme sofrimento a Jeremy. A partir desse momento, ocorrem acontecimentos que levam Lowen a questionar o que é real e o que é apenas fruto da sua imaginação.
Este foi, sem dúvida, um dos melhores livros que li, é um excelente thriller, repleto de suspense e de pormenores que mantêm o leitor preso à história. Colleen Hoover consegue uma coisa que poucos autores de romances conseguem produzir, um sentimento de sobressalto e nervosismo face à incerteza e imprevisibilidade no desenrolar da história, permitindo ao leitor envolver-se e imaginar-se no papel da protagonista, Lowen. Com certeza que é uma leitura que leva o coração a mil e os sentimentos à flor da pele. O final é surpreendente e inesperado, todas as especulações que vão surgindo ao longo do livro sobre o seu fim estão totalmente erradas.
Concluindo, “Verity” é uma verdadeira montanha-russa de emoções e que nos apanha completamente de surpresa, página atrás de página. É um livro absolutamente arrepiante, cheio de reviravoltas que prendem o leitor até à última palavra.
Ao longo desta caminha como pessoa e como estudante, tenho lido alguns livros, mas, até hoje, a obra que mais me marcou foi “Tia Guida”. Este livro é da autoria de André Fernandes, o qual já escreveu cinco obras reveladoras de que possui uma enorme paixão pelas palavras. O seu género é biográfico, mas também dramático.
O protagonista e narrador é o próprio autor de “Tia Guida”, que fala na primeira pessoa e que nos conta a história verídica da sua tia Margarida, que enfrentou a terrível doença do século, um cancro no estômago. André começa por descrever o momento em que lhe é dada esta notícia tão arrasadora, que deixou triste não só o autor mas também toda a sua família. Ao longo da história, o autor/ narrador mostra-nos o impacto e a mudança radical de vida que teve o próprio André, o tio Jorge e, principalmente, a tia Guida. No momento de sofrimento em que se encontra, a família da tia Guida acaba por encontrar os verdadeiros amigos que têm na vida.
Ao lermos este livro, vivemos os vários episódios descritos e vivenciados pelo próprio protagonista, que, num estilo singelo de desabafo nos dá um testemunho cheio de sentimentos de amor, carinho e afeto, usados na luta contra esta doença, que foi enfrentada sem medos pela tia Guida. A leitura deste livro fez-me refletir mais sobre a vida. A vida é para ser vivida ao lado das pessoas que verdadeiramente amamos e para a aproveitarmos em todos os momentos. Para mim, este livro simboliza a união familiar.
Em suma, “Tia Guida” é um livro intenso, uma verdadeira história de amor. Recomendo vivamente a leitura desta obra, não só àquelas pessoas que passaram pelo mesmo processo doloroso de André, mas também às pessoas, que, até hoje, felizmente, não viveram perto dele.
A obra que escolhi como o “livro da minha vida” foi o “O clube de xadrez de Auschwitz”, de John Donoghue. Este livro é um romance sobre um dos gestos mais importantes da vida, um dos sentimentos mais profundos da existência: o perdão.
Holanda, torneio de xadrez, 1962. Quase duas décadas passaram desde que Emil Clément viu Paul Meissner pela última vez. Emil, um judeu conhecido como o Relojoeiro, é um sobrevivente de Auschwitz. Durante o cativeiro no campo de concentração, foi obrigado a jogar xadrez contra oficiais nazis: se ganhasse, podia salvar a vida de outro prisioneiro; se perdesse, perderia a própria vida. Pau, agora padre, também esteve em Auschwitz: era ele o oficial das SS que obrigava o Relojoeiro a jogar. Neste frente a frente derradeiro, Paul tenta explica a Emil o que aconteceu dentro de si e o que descobriu em Auschwitz que o fez mudar completamente a sua vida.
Escolhi este livro, porque expõe um tema que sempre me despertou grande interesse em toda a minha vida de leitor. É um livro que nos faz confrontar com o verdadeiro significado da palavra “perdão”, a nossa ideia de culpa e refletir sobre as nossas escolhas, as nossas dores e os nossos rancores. No mundo atual, e referindo-me mais concretamente ao nosso continente, Europa, a palavra “perdão” vai ser certamente a solução para o fim da guerra que está a acontecer, sem o perdão recíproco entre os diversos atores desta guerra, certamente, não haverá paz.
“Isto Acaba Aqui”, de Collen Hoover, é um romance editado pela Penguin Random House, que tem arrebatado milhares de leitores em todo mundo, à semelhança de outros livros da mesma autora. Como se explica este fenómeno mundial?
A protagonista, Lily Bloom, é familiarizada com o conceito de violência doméstica desde pequena. O seu pai maltratava a sua mãe, muitas vezes à sua frente, e esse é um trauma que a acompanha durante toda a obra. Ainda assim, Lily cresce para se tornar uma mulher forte e cheia de garra que jura a si mesma que nunca irá ser vítima dos maus-tratos como os que viu a mãe sofrer. No entanto, o destino tem outros planos para ela. No dia do funeral do seu pai, Lily conhece Ryle, um homem misterioso e encantador que a deixa arrebatada logo no primeiro encontro. Mas será assim tão encantador? Existe dentro dele um turbilhão que faz Lily recordar-se do seu pai e das coisas que este fazia à sua mãe, mascaradas de amor, e sucedidas por pedidos de desculpa. Quando Lily vai morar para Boston, além de realizar o seu sonho, encontra o seu amor de infância, o que muda o rumo de toda a história.
Os temas explorados por esta autora norte-americana granjearam-lhe muitos leitores fiéis, já que se identificam com muitas das situações vividas pelas suas personagens. Neste romance, por exemplo, a violência doméstica ou as condições económicas mais desfavoráveis prendem o leitor até à última página. Outro facto que justifica este sucesso mundial e a adesão de muitos jovens, particularmente raparigas, é o efeito de contágio criado a partir de plataformas como o Tik Tok (através dos vídeos promocionais no booktok) ou no Youtube (nos vídeos booktube). Esta movimentação digital ajuda a explicar mais de um milhão de exemplares vendidos em todo o mundo.
O estilo e a construção narrativa usados por Collen neste romance tornam-no uma ótima fonte de abstração e lazer e fazem-me aguardar com grande expectativa o futuro de Lily e Atlas que a autora descreve no novo romance “Isto Começa Aqui”, editado em 2022. E, à semelhança de muito leitores espalhados pelo mundo, “Isto Acaba Aqui” tornou-se o livro da minha vida.
Após uma vasta análise, concluo que o livro que mais me marcou até hoje se intitula “Monte dos Vendavais”, de Emily Brontë. A obra narra, obscura e violentamente, uma paixão capaz de perdurar no tempo como uma maldição, mesmo até depois da morte.
Existem determinados livros que são quase de leitura obrigatória, quer por serem uma referência na literatura, quer por outros motivos. Normalmente, diz-se que, "quando a esmola é muita, o pobre desconfia", e eu nunca entendi muito bem todo o alarido à volta deste livro. Até que, há cerca de um ano, por influência da minha mãe, o comecei a ler, e num fechar de olhos vi-me completamente focada numa leitura avassaladora. Esta narrativa poderosa e trágica conta a bela paixão de Heathcliff e Catherine Earnshaw. Um amor tempestuoso que acabará por afetar a vida de todos aqueles que os rodeiam como uma maldição. Adotado em criança pelo patriarca da família Earnshaw (o senhor do Monte dos Vendavais), Heathcliff é afastado por Hindley, o filho legítimo, que o leva a acreditar que Catherine, a irmã deste, não corresponde à intensidade dos seus sentimentos. Abandona, assim, o Monte dos Vendavais para regressar anos mais tarde disposto a levar a cabo a mais tenebrosa vingança.
Recentemente, cheguei à conclusão de que as expectativas são o pior inimigo no que às leituras diz respeito, tal como na vida. Eu não sei ao certo o que esperava deste livro, mas sei que é muito diferente daquilo que efetivamente encontrei: um ambiente negro e deprimente, personagens marcadas pelo exagero da insanidade e do orgulho. Todo este ambiente que domina o livro é acompanhado pelos elementos e pela paisagem que rodeiam as personagens. De facto, foi precisamente a forma como a autora transmitiu esta envolvência o aspeto que achei mais bem conseguido. Ela revela-se exímia na construção da narrativa, bem como na singularidade e força das personagens. Aliás, na visão geral do mundo e do amor. O amor atribulado de Catherine e Heathcliff é uma história que desperta emoções muito fortes, às quais é impossível ficarmos indiferentes.
O livro que escolhi como “O livro da minha vida” intitula-se Amor e Gelato, da autoria de Jenna Evans Welch. É uma edição de Edições Zero a Oito.
Optei por esta obra não só devido ao interesse que tenho por livros que relatam romances juvenis e um pouco de ficção, mas essencialmente pelo fascínio e encanto que tenho pelo país em que a obra se desenrola, Itália, e pelo sonho de um dia, no futuro, poder fazer um ano de estudo nesse país.
Esta obra retrata a vida de Lina, uma adolescente de 16 anos que vivia com a sua mãe nos Estados Unidos da América, até um dia esta desenvolver um cancro em fase terminal, que acabou por lhe tirar a vida. A morte da mãe obrigou Lina a cumprir a promessa que lhe tinha deixado de passar um verão em Itália com o seu pai que, até então, não sabia da sua existência. Com a mudança de país e a sua perda recente, Lina sente-se angustiada, perdida e sozinha por a única pessoa que a poderia ajudar ser o seu pai com quem ela não tinha nenhum tipo de ligação. Certo dia, na sua corrida pela vizinhança ao final da tarde, Lina conhece Ren, um rapaz meio-americano, meio-italiano, e juntos descobrem o diário que a mãe de Lina tinha escrito enquanto estudava em Florença, onde conheceu o seu pai. Lina e Ren partem à descoberta de onde tudo começou, explorando juntos a Toscânia e Roma.
Do meu ponto de vista, esta obra surpreendeu-me em todos os aspetos, não só pela narrativa bem construída, mas também pela mistura de emoções que esta me transmitiu, principalmente nas partes de maior sofrimento de Lina, que, apesar de tudo o que viveu, conseguiu ver sempre uma luz de esperança, sendo sempre positiva. Esta mensagem de esperança torna a obra um romance imperdível, que todos deveriam ler para ficarem apaixonados por Itália, como Lina, o que a levou a tomar a sua decisão final.
“Harry Potter e a Pedra Filosofal” é um dos romances que mais me marcaram e um dos meus favoritos. Este é o primeiro da famosa saga de livros escrita por J. K. Rowling, tendo uma adaptação para cinema em 2001. Este livro conta a história de Harry Potter, um órfão criado pelos tios, que descobre, no seu décimo primeiro aniversário, que é um bruxo. No romance, são narrados os seus primeiros passos na comunidade bruxa, a sua entrada na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e o início da sua amizade com Ron Weasley e Hermione Granger, os quais o ajudam a enfrentar Lord Voldemort — Lorde das Trevas e assassino dos pais de Harry, que agora procura um objeto lendário conhecido como “a pedra filosofal”.
Na verdade, a minha primeira experiência com esta história foi com o filme e não o livro, quando eu era criança, e foi um daqueles filmes que marcaram bastante a minha infância, portanto, sendo eu um grande fã dos filmes, há uns anos atrás decidi ler o primeiro livro da saga, e, tal como o filme, adorei-o completamente, talvez até mais que ao filme.
A história contada é tão envolvente e criativa para a sua época, que muitos livros ainda hoje em dia são influenciados por este romance. Um dos principais aspetos que destaco relaciona-se com as personagens, uma vez que em “Harry Potter e a Pedra Filosofal” até personagens que desempenham papel secundário na história são bem definidas e memoráveis; além disso, também o “mundo” da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts é super interessante e imersivo. Honestamente, há poucos livros de fantasia que me fazem querer saber tudo sobre o universo em que se passam, mas “Harry Potter” faz parte daqueles em que me interessa cada detalhe sobre aquele mundo.
A principal razão pela qual eu escolhi o primeiro livro da saga escrita por J. K. Rowling foi, simplesmente, por este se aguentar “por conta própria”, ou seja, enquanto os outros são dependentes dos antecedentes para se desfrutar a história, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” tem uma estrutura simples, mas incrivelmente agradável, deixando ainda espaço para continuação da narrativa.
Com mais de 1,8 milhões de seguidores, Ariana Godoy tornou-se um dos maiores fenómenos do Wattpad com a sua história “Através da Minha Janela”, já lida por mais de 300 milhões de leitores. Adaptado a filme pela Netflix, o primeiro volume da trilogia “Os Irmãos Hidalgo” conquistou os tops de vendas em todo o mundo.
”Através da minha janela” conta-nos a história de uma adolescente, Raquel, que é tímida e pobre e que se sente muito atraída pelo seu vizinho, Ares Hidalgo, um adolescente frio, sombrio e distante. Tudo começou com a senha de WiFi 4R35 D1U5 GR3G0, que estava codificada com um significado: Ares Deus Grego. Aos dezoito anos, a vida de Raquel resume-se a trabalhar numa gelataria/pastelaria nas férias, sair com os dois melhores amigos e, principalmente, observar pela janela do seu quarto cada passo do seu vizinho. Alto, atlético, misterioso e lindo como um deus grego, Ares Hidalgo é a paixão secreta de Raquel desde que ela era criança, mas os dois nunca trocaram uma palavra sequer. Só que isso está prestes a mudar. Após descobrir que Ares começou a usar a sua senha do WiFi sem permissão, Raquel reúne coragem para confrontá-lo, e é nessa noite que tem início um jogo de atração e obsessão enlouquecedor e inebriante, que vai mostrar a Ares que ela não é a menina tímida e insegura que todos imaginavam. Agora, Raquel sabe muito bem o que quer: fazer com que Ares se apaixone por ela. De uma hora para outra, Raquel vê-se envolvida com um rapaz que parece frio e sem emoções, e vai ter que lançar mão de todos os seus feitiços se quiser conquistá-lo.
Na minha opinião, ”Através da minha janela” conta-nos um romance bastante clichê, já que nos apresenta mais uma das típicas histórias do adolescente frio e sombrio por quem uma adolescente tímida se apaixona, no entanto, recomendo a leitura deste livro, pois acho que quem aprecia o estilo irá adorar.
Com um fiel assistente por companhia, Maggie passa os últimos dias da quadra a recordar um Natal de outrora e a avassaladora paixão que mudou o rumo da sua vida. Nesta história de descoberta, perda e redenção, Nicholas Sparks lembra-nos de que o tempo que dedicamos às pessoas que amamos é uma dádiva preciosa. É este o resumo do livro que posso dizer ser “o livro da minha vida”, pelo menos por agora, pois tenho a certeza de que Nicholas Sparks, o autor, nascido a 31 de Dezembro de 1965, ainda nos irá presentear com muitas outras histórias de “partir o coração”.
Todos nós sabemos que os livros deste autor não são sinónimo de finais felizes, mas sabemos também que iremos encontrar um enredo que nos prenderá tanto à história em si como aos personagens e acreditem quando digo que “O Sonho” não é apenas um livro sobre “lamechices”, não, é muito mais do que isso. É sobre dar importância a pequenos gestos, a momentos e às pequenas coisas da vida, a sonhos e paixões. É sobre amor e o sobre o que faríamos por ele, é sobre o destino, é sobre a curiosidade acerca do que este nos reserva e da maneira como nos influencia.
“O Sonho” prendeu-me desde o início, mesmo sem me aperceber disso. Estava demasiado curiosa para saber como a história se desenrolava e demasiado rendida ao amor verdadeiro e genuíno que as duas personagens compartilhavam para me conseguir desprender das páginas que este livro contém. Foi uma leitura tão intensa e emotiva que parece que sempre que me lembro deste romance ainda consigo viver todos os sentimentos que me dominaram no processo de leitura: felicidade, realização, angústia, tristeza, pena, revolta, injustiça, assim como a sensação dos meus dedos sobre as páginas, que, devido às minhas lágrimas, ficaram molhadas. Penso sempre que, caso exista mesmo “o universo”, este talvez pudesse ter sido mais generoso e justo para com as personagens e a história que estas partilhavam.
Sinto-me extremamente grata por ter tido a oportunidade de ler ”O Sonho”, que não é apenas um somatório de páginas com letras colocado numa estante, e espero que muita gente tenha também o interesse e a oportunidade de o ler.
Para o meu projeto de leitura de Português, decidi escolher a novela O Jogador, do escritor russo mundialmente conhecido Fiódor Dostoiévski, visto que nela é retratado um tema que me fascina, o vício em jogos de casino, neste caso, a tão descrita roleta.
Publicado em 1866, ano em que saiu também Crime e Castigo, O Jogador reflete muito da biografia de Dostoiévski, que foi, ele próprio, jogador compulsivo durante vários anos. Com a Alemanha sob pano de fundo e um ambiente de casinos, encontramos Aleksei Ivánovitch, figura principal deste romance, um jovem com um forte sentido crítico em relação ao mundo que o rodeia, mas sem objetivos, que descobre em si a paixão compulsiva pelo jogo.
Usando humor satírico, Dostoiévski expõe as motivações mais íntimas desta e de outras personagens, criando uma obra simultaneamente viva e dramática. O fascínio culpabilizado dos jogadores, o descontrolo e o desespero, paixões que raiam a loucura e uma solidão sem recurso são temas que se adequam ao genial universo da ficção dostoievskiana.
Acredito que esta obra é interessante, visto que retrata um tema que pode afetar qualquer pessoa e que eu considero interessante. É, ainda, importante porque nos mostra como funciona a mente de um individuo viciado em jogos de sorte, o que faz com que nós, enquanto lemos, nos sintamos na pele do personagem.
Uma curiosidade sobre esta obra: enquanto escrevia Crime e Castigo, um dos seus romances mais conhecidos, Dostoiévski, afundado em dívidas, assinou um contrato absurdo com o seu editor, comprometendo-se a entregar, até determinada data, um romance com um número pré-determinado de páginas. Caso não entregasse a obra a tempo, o editor teria direito, por 9 anos, de publicar todas as futuras obras de Dostoiévski sem nenhuma remuneração para o escritor. Desesperado pelo curto prazo a que estava sujeito e recusando a ajuda de vários amigos escritores, Dostoiévski decidiu contratar Ana Grigórievna Snítkina (que possuía a habilidade de escrever muito rápido) para auxiliá-lo na empreitada. E foi assim, em apenas 26 dias, que Dostoiévski e Ana Grigórievna venceram o desafio, concluindo e publicando a novela O Jogador.
Depois da leitura de O Jogador, avalio a obra com 9/10 pontos.
A obra que escolhi para o meu projeto de leitura de Português intitula-se Orgulho e Preconceito, escrita por Jane Austen, uma importante romancista inglesa cuja escrita marca a passagem do neoclassicismo para o romantismo.
Um dia, vi um filme que mencionava algumas frases retiradas de livros e Orgulho e Preconceito era um deles. Fiquei bastante ansiosa e com vontade de o ler, pois a frase tocou-me. Esta razão aliada à minha paixão por romances clássicos e à menção de diferentes situações quotidianas, levou-me a querer lê-lo.
Primeiramente, este livro intitulava-se de Primeiras Impressões, passando mais tarde a designar-se Orgulho e Preconceito. O título centraliza-se na figura de Elizabeth Bennet, já que a palavra “orgulho” está associada ao orgulho que a sua família sentia por ela, uma vez que ela se ia casar com um homem rico e influente.
Quando a notícia de que um jovem rico iria chegar à cidade à procura de uma esposa, o Sr. e a Sra. Bennet veem a oportunidade de casar a filha mais velha, Jane. Num baile, quando as raparigas interessadas neste casamento são apresentadas ao jovem, ele encanta-se por Jane. Este aparece acompanhado do seu amigo Mr. Darcy, que é introduzido como orgulhoso, indiferente para com as pessoas da sociedade e introvertido. Quando Mr. Darcy coloca os olhos em Elizabeth Bennet, encanta-se por ela, apesar de não o demonstrar, já que faz alguns comentários negativos à sua aparência. Com o aumento da sua paixão, Darcy tenta negar este sentimento, ao passo que a impressão que Elizabeth tem dele torna-se cada vez mais negra. Contudo, através de visitas à casa onde este vive, Lizzie começa a olhá-lo com diferentes olhos, apaixonando-se por ele. O amor de Jane e Mr. Bingley e de Darcy e Elizabeth, assim como a vida familiar dos Bennet, são bastante atribulados e cheios de inúmeras críticas subentendidas à época em que viviam.
Considero esta obra bastante interessante e, por isso, penso que é uma obra que todos deveríamos ler, não só porque é uma bela história de amor, mas também porque é revolucionária e cheia de perspicazes críticas à sociedade. A história de amor entre as personagens é bonita, apresentando alguns espinhos, tal como acontece na vida real, tornando-a ainda mais cativante. A presença de uma figura feminina independente e convicta das suas opiniões demonstra a crítica ao ideal da mulher, calada e doméstica, que ainda hoje perdura. As personagens da obra são bem estruturadas e diferentes, ajudando na construção do nosso “eu”.
Gostei bastante de ler Orgulho e Preconceito, pois tocou-me e as personagens são uma inspiração para o meu futuro. A escrita, um retrato mais feminista da mulher, o romance entre as personagens, a vida social da época e as críticas subentendidas, foram alguns dos motivos que me fizeram apaixonar por este livro. Avalio esta obra com 9/10 pontos.
Eu escolhi Capitães da Areia, Jorge Amado para o meu Projeto de Leitura de Português, porque foi um dos últimos que li e um dos que mais me marcou pela sua simplicidade, realismo e mensagens transmitidas. Recomendo vivamente a todos ler o livro pelo menos uma vez, pois fala sobre pobreza e miséria, marginalidade e abandono, mas, ainda assim, existe espaço para o amor e para a amizade.
Conhecidos como Capitães da Areia, um grupo reúne cerca de quarenta menores (entre 9 e 16 anos) que vivem num trapiche (velho armazém) abandonado no cais do porto da Bahia, Brasil.
Os meninos de rua pediam dinheiro para comer ou roubavam os que passavam. Os crimes cometidos poderiam ser pequenos furtos ou assaltos mais ou menos organizados. Pedro Bala, líder valente do grupo, que conhece todas as partes da cidade, não deixa que falte nada a ele e ao seu grupo. Tem um caso com Dora, menina órfã que se junta aos Capitães da Areia e se envolve emocionalmente com Pedro Bala. Dora tem o dom de tornar a vida deste conjunto masculino um pouco mais doce. É uma menina bonita e elegante, pelo que muitos rapazes não demoram muito tempo a apaixonar- se por ela.
Como os Capitães da Areia furtavam cotidianamente, eles aterrorizaram grande parte da população da época. Assim, eram procurados pela polícia, mas pela idade não podiam ser presos. Quando capturados, eram enviados para o reformatório, um local fechado para menores infratores. No entanto, eles preferiam viver nas ruas e serem livres. Dora e Pedro foram apanhados quando roubavam uma mansão e foram enviados para o reformatório. Dora ficou doente e acabou por falecer. Num dos momentos da história, a cidade de Salvador foi assolada pela varíola. Um dos membros do grupo não sobreviveu: Almiro. Por fim, alguns são capturados, outros mortos. Na última parte do livro, o autor apresenta o destino de cada um deles.
Esta é, sobretudo, uma obra sobre a miséria e a diferença de oportunidades entre ricos e pobres, primando pela análise profunda à sociedade brasileira do século passado. Dentro deste tema geral, vamos encontrando outras pequenas temáticas que enriquecem a obra, nomeadamente as aventuras dos Capitães da Areia e o episódio da propagação da varíola, que, tal como é de esperar, atacou principalmente os mais pobres e indefesos. Além disso, a história de amor entre Pedro Bala e Dora não deixa ninguém indiferente e a riqueza de pormenores com que é narrada pode levar os leitores mais sensíveis às lágrimas.
Jorge Amado realizou uma obra-prima quando escreveu este livro que, para mim, é o melhor da sua autoria. Avalio esta obra com 9/ 10 pontos.
Histórias de Nova Iorque, de Enric González, não é um roteiro turístico sobre o que fazer e ver em Nova Iorque, é um livro que nos faz viajar sim, mas é um livro de história que nos leva a descobrir a cidade desde a sua fundação, os nomes e as personalidades que tiveram um papel importante no crescimento e desenvolvimento de Nova Iorque. Neste livro, há capítulos dedicados às principais famílias da máfia, ao mundo do desporto e, pelo meio, ainda aprendemos um pouco mais sobre urbanismo e os edifícios mais icónicos da cidade e, como este livro é muito mais do que o referido anteriormente, pelo caminho, Enric González conta ainda outras histórias, aquelas de quem viveu a cidade.
Nova Iorque: a cidade que não dorme, e Enric González tão-pouco. Entre episódios burlescos da máfia nova-iorquina, a impossibilidade de encontrar um apartamento aceitável na cidade, curiosidades sobre lugares simbólicos - bairros, museus, bares e restaurantes - e referências a figuras que marcam a identidade urbana, Enric González apresenta a sua visão pessoalíssima da mais mítica das metrópoles, com um sentido de humor mais frequentemente melancólico do que amargo. Em suma, Histórias de Nova Iorque é uma carta de amor à cidade que é “o centro do centro do centro do mundo”, com o seu esterco e as suas flores, um pequeno prodígio de concisão.
A obra Histórias de Nova Iorque já há algum tempo ocupava um lugar predileto na lista de livros que eu gostaria de comprar e ler. Após diversas tentativas falhadas em encontrar a obra, finalmente consegui comprá-la. A minha escolha recaiu sobre esta obra, uma vez que a cidade de Nova Iorque sempre me fascinou pelo seu ritmo frenético. A Big Apple é o mais conhecido ‘melting pot’ de culturas, capital da pop art, da arte moderna, da ‘geração beat’ e do jazz, com os edifícios mais altos, os maiores museus e a melhor piza – Nova Iorque é uma cidade de superlativos.
Este foi um dos melhores livros que li nos últimos tempos! É uma excelente obra para todos os amantes da Big Apple, como eu. Histórias sobre a cidade que superam qualquer filme ou livro e que não se encontram nos guias de viagem, repleto de pormenores que nos arrancam gargalhadas.
Enric González consegue uma coisa que poucos autores de livros de viagens conseguem produzir: uma vontade imensa de, após a leitura do livro, o leitor dirigir-se a uma agência de viagens, comprar um bilhete para a cidade, e vivenciar uma fração do que ele nos documenta no livro.
Um verdadeiro 10, numa escala de 0 a 10. Próxima viagem: Nova Iorque!
A consagração de João Tordo como escritor aconteceu em 2009, quando foi galardoado com o Prémio Literário José Saramago, pelo romance As Três Vidas.
O título da obra, As Três Vidas, pode remeter-nos para a existência tripartida do protagonista narrador, mediante os acontecimentos que vão pautando a sua vida, ou pode simbolizar as três vidas (Narrador, Camila Pascal e Millhouse Pascal) que se cruzam e que vão moldando o destino da personagem que conta a sua história...
Este romance, narrado em primeira pessoa, conta a história de um jovem lisboeta desde que começou a trabalhar como arquivista de segredos para Millhouse Pascal, na Quinta do Tempo, no Alentejo, até ao momento em que, decorridos vários anos, já a trabalhar como arquivista na Torre do Tombo, decide, como forma de expiar os fantasmas do passado, recuperar, através da memória, as atribulações e mistérios experienciados na companhia do seu primeiro patrão, um velho patriarca, que testemunhou atrocidades das grandes guerras do século XX, e da sua neta, Camila Pascal, uma jovem aspirante a funambulista, por quem se apaixonou.
Involuntariamente enredado na misteriosa atividade laboral de Millhouse Pascal e irremediavelmente apaixonado por Camila, desaparecida após uma viagem a Nova Iorque, o protagonista acaba por ser arrastado para uma existência partida em três. A primeira das três vidas acontece na Quinta do Tempo, onde se apaixona por Camila e acaba por ser testemunha conivente da atividade hipnótica de Pascal, e também em Nova Iorque, para onde viaja à procura da neta do patrão. A segunda vida começa em Nova Iorque, depois de encontrar Camila e de ser abandonado por ela, e termina em Lisboa, para onde regressa, sete anos depois, na esperança de encontrar pistas que o levem novamente ao seu encontro. A terceira vida começa em Lisboa quando o arquivista da Torre do Tombo, já casado e com filhos, decide deixar um relato da sua existência de modo a libertar-se dos fantasmas do passado (o fantasma de Camila e da figura enigmática do seu avô).
Na minha opinião, o interesse maior da obra As Três Vidas prende-se com a sua capacidade de fazer o leitor refletir sobre a inevitabilidade do destino, que subtilmente orquestra o nosso percurso, e sobre a vida e a difícil tarefa de nos equilibrarmos na corda bamba. Todas as personagens da obra, em especial as três que mereceram o meu destaque, ensinam-nos que a vida é, metaforicamente, a arte do funambulismo.
O livro é sobre uma rapariga e um rapaz, amigos e vizinhos desde a infância, que crescem e se tornam confidentes. Entretanto, a certa altura, a jovem desaparece, deixando algumas pistas sobre o seu paradeiro. Tal como noutras ocasiões anteriores em que Margo desaparece, ela deixa pequenos indícios que acabam por desvendar o local onde se encontra.
Quentin, ajudado por dois amigos, partem numa busca incansável, seguindo as pistas e descobrindo que ela se refugiou numa cidade misteriosa. Ao longo do livro, a imagem de rapariga perfeita que Quentin criou na sua cabeça vai desaparecendo e ele percebe a real natureza da rapariga: misteriosa e aventureira. Completamente diferente e incompatível com ele.
No final, ele encontra-a, acabam por se beijar, mas cada um segue o seu caminho, prometendo voltar a encontrar-se. Quentin regressa a casa e ela continua a sua a aventura misteriosa.
Sem dúvida, dois romances que todos deveriam ler!
Este livro, que requisitei na Biblioteca Municipal, conta-nos o drama de dois jovens, um rapaz e uma rapariga, que se apaixonaram e se tornaram namorados. A parte dramática é que se trata de doentes com cancro, que se conheceram num grupo de terapia para doentes oncológicos.
Ao longo do livro, somos surpreendidos por momentos de grande felicidade, mas também de profunda tristeza, que os vai envolvendo até ao desfecho: a morte do rapaz.
O que me agradou neste livro foi a força que estas personagens conseguem transmitir-nos, lutando até ao fim e vivendo momentos de grande felicidade, apesar de saberem que o fim estava próximo.
Outro dos livros que mais me marcaram foi “O Recruta”, de Robert Muchamore. Com esta obra passou-se algo inacreditável… Foi-me oferecido pelos meus tios/primas da parte do meu pai, que me disseram: “ Quando começares a ler as primeiras páginas nunca mais vais parar”. Nunca me esqueço desta frase que me marcou tanto, pois foi isso mesmo que aconteceu. Hoje, tenho toda a coleção e anseio para que haja outra edição em breve.
Tenho vários livros que me marcaram para a vida inteira e que ainda hoje os tornaria a ler, vezes sem conta, uns pela ação em si e outros pela história de vida que transmitiram.
Um dos livros, “Alice no país das sapatilhas”, de Susana Tavares, marcou-me imenso. Li-o em quinze dias quando estava a passar férias em Cascais e o facto que mais me impressionou foi que, quanto mais o lia, mais me apetecia lê-lo, e começava logo a imaginar cada frase que viria a seguir... A história narrada era incrível, era mesmo eu em várias situações. A história amorosa que se passou e os problemas que a protagonista teve de ultrapassar com a sua melhor amiga mexeu muito comigo e eu própria faria exatamente as mesmas questões que ela: “Porquê eu?”, “Porquê a mim?”.
Outra coleção de livros que cresci a ler foi “As gémeas no Colégio de Santa Clara”. Estes livros contam a história de Patrícia e Isabel, duas meninas que foram contrariadas para um colégio, por ordem dos pais. Apesar de um início problemático, elas começam a fazer amigas e a gostar de lá estar. Juntas enfrentam diversos problemas e aventuras e descobrem novas paixões.
Não posso dizer que os livros que tiveram mais importância para mim têm uma interessante mensagem, mas foi a lê-los que cresci e isso tornou-os em algo especial. Todos eles foram oferecidos, tanto como presente como simplesmente para a minha coleção, e isso dá-lhes mais valor.
Ambos são coleções e eu alegro-me de as ter quase completas, não sei se algum da irei completá-las, mas são algo que me é muito querido.
Posso concluir que os livros da minha vida passam uma lição de grande valor. Tê-los lido durante toda a minha curta existência, penso que moldou a pessoa que sou, pois, apesar de não terem uma mensagem estipulada, eu criei a minha própria perspetiva sobre a vida.
Nunca fui muito de ler, mas quando era mais nova comecei a ler um livro de título “As crónicas do vampiro Valentim” e adorei. Esta coleção de livros conquistou-me, pois já na altura tinha um fascínio por vampiros. Esta coleção conta a história de uma família que morrera num acidente de carro e que, após o seu funeral, todos voltam à “vida” em forma de vampiros. Esta família lida com dois caçadores de vampiros o tempo todo e, para além disso, o Valentim tem que resolver um enorme problema: um meteoro sobrenatural que iria colidir com a Terra e acabar com o Lado de Lá (mundo dos vampiros).
A história do livro “Com amor, Simon” desenrola-se à volta da vida de um jovem de 16 anos que vive os melhores momentos da sua vida atrás de um computador. Quando um dia se esquece de desligar a sessão no computador da escola, os seus emails privados ficam expostos a um colega, que o vai chantagear. Perante isto, Simon vê-se obrigado a expor os seus sentimentos ao mundo.
Neste momento, são os livros que mais me marcaram e penso que farão sempre parte da minha memória, pelo que recomendo vivamente a sua leitura! Espero encontrar mais pelo futuro.
Durante a minha vida foram alguns os livros que me passaram pelas mãos. Todavia, nem todos me marcaram, particularmente, porque algumas leituras foram de caráter obrigatório. O ano passado ofereceram-me os livros “As vantagens de ser invisível”, do escritor norte-americano Stephen Chbosky, e “Com amor, Simon”, de Becky Albertalli.
Talvez por abordar a vida de outros adolescentes ou por estar mais predisposta à leitura, estes livros cativaram-me e prenderam a minha atenção até à última página.
“As vantagens de ser invisível” relatam a vida de Charlie, um rapaz de 15 anos que vai para um colégio frequentar o 10.º ano, quando recuperava de uma depressão causada pela morte do seu único amigo, que se tinha suicidado com um tiro na cabeça. Com uma inteligência superior à média, tímido, sensível e agora sem amigos tenta parecer invisível. À sua volta, o mundo gira em torno de festas, sexo e drogas e Charlie sente a pressão do primeiro beijo ou da primeira namorada. No colégio contacta com dois jovens mais velhos com quem começa a criar ligações – Patrick, um homossexual, e Sam, por quem se apaixona. Os três formam um grupo isolado dos outros alunos mais populares da escola e, a partir daqui, iniciam uma grande aventura de autodescoberta e superação dos seus medos e segredos.
Os Capitães da Areia, de Jorge Amado, retratam a história de um grupo de órfãos que viviam nas ruas da Bahia. Conhecidos como Capitães da Areia, eram perto de cem rapazes entre os 8 e os 16 anos, e os jornais descreviam-nos como criminosos perigosos, parecendo até esquecer-se que falavam de crianças. O que me mais fascinou na obra em apreço foi, sem dúvida, o realismo com que o autor nos presenteia na sua narrativa, porque a obra é um romance fictício, no entanto, toda a ação se desenrola numa época real, que reporta aos tempos da ditadura brasileira. De facto, algumas personagens que habitam o livro podem não ser reais, mas, outras, certamente, vivenciaram aquela situação e aquele estado emocional.
Em suma, penso que os livros referidos não deixam ninguém indiferente, ambos abordam histórias intemporais e temas atuais. Por isso, recomendo a sua leitura.
O Rapaz no Cimo da Montanha, de John Boyne, conta a história de Pierrot, filho de mãe francesa e pai alemão. Quando fica órfão, com sete anos de idade, vai viver com a tia para a Berghof, a casa refúgio de Adolf Hitler.
Na verdade, o que me motivou a ler esta obra deve-se ao facto de esta se debruçar sobre o Nazismo, algo que marca o pensamento de todos nós, e o ódio entre raças, apesar de também mostrar a coragem e persistência de Pierrot, que num meio tão restrito e preconceituoso julga por si mesmo e atua segundo o que ele acha justo. Então, este livro marcou-me imenso, uma vez que me provou que, todos nós, podemos pensar por nós próprios, sem medo de quaisquer repercussões, mesmo que estejamos num mundo dominado pelo ódio, tal como aquele em que Pierrot se encontrava.
Outro livro que adoro é A Volta ao Mundo em 80 Dias de Júlio Verne. A primeira vez que ouvi falar dele foi através dos meus pais. Numa conversa que tivemos acerca daquilo a que costumavam assistir na televisão quando eram mais novos, eles referiram um dos desenhos animados e um filme que davam na altura e que estavam relacionados com esta obra. Fascinada e curiosa com o que me tinham contado, quando eles me disseram que havia um livro sobre isto quis logo comprá-lo. Quando o comecei a ler, imediatamente relacionei os vários momentos da história com as diferentes curiosidades que os meus pais me tinham revelado. Assim, a leitura tornou-se muito mais interessante e empolgante. Na altura, gostei imenso do livro e ainda hoje adoro ler as minhas partes favoritas. Acho que é uma excelente obra para os leitores mais novos, principalmente para os que gostam de aventuras e fantasia.
Não posso dizer que tenha lido muitos livros até agora, porque a verdade é que não li. No entanto, existem algumas obras que marcaram a minha vida de uma forma bastante agradável.
O primeiro livro que vou referir chama-se A Vida Mágica da Sementinha e pertence ao escritor Alves Redol. Na época em que frequentava o 5.º ano, uma das obras propostas aos alunos foi esta. Todos fomos “obrigados” a ler o livro, logo, não o li por iniciativa, mas sim porque era necessário. Nesse ano escolar foi realizado um concurso apenas com as turmas do 5.º ano acerca desta obra. Todos os alunos passaram por vários testes e, em cada turma, as quatro pessoas com os melhores resultados disputaram o primeiro lugar na última fase do concurso. Claro está que eu fui uma das finalistas. Nesse último desafio, cada grupo teve que responder a diferentes perguntas relacionadas com o livro e ia adquirindo pontos conforme o número de respostas certas. Foi um momento repleto de adrenalina e nervosismo, mas, no final, eu e os meus outros três colegas acabamos por ser os vencedores. Como prémio ofereceram-nos um livro e uma viagem ao Museu de Serralves. Toda esta fantástica experiência fez com que olhasse para o conto de uma forma diferente e especial, sendo que este marcou uma boa fase da minha vida.
Nestas férias de Natal, passei parte do meu tempo a ler a obra “Cem anos de solidão”, de Gabriel García Márquez, um clássico da literatura contemporânea, sobre a fabulosa aventura da família Buendía-Iguarán. O escritor, que se afirmou como um dos melhores dos nossos tempos, nasceu em 1927 em Aracataca, Colômbia. Recebeu o Prémio Nobel de Literatura, em 1982, e foi o criador do realismo mágico na literatura latino-americana. Morreu a 17 de abril de 2014.
O livro conta a história de Macondo, uma cidade mítica, e a dos descendentes de seu fundador, José Arcadio Buendía, durante um século. Através do realismo mágico, o livro aborda revoluções, incesto, corrupção e loucura de uma forma natural. A história começa nos primórdios das civilizações e vai até à invenção do telefone. Úrsula, uma personagem centenária que acompanhou todas as gerações, reparou que todos os José Arcadio tinham características semelhantes que se opunham às dos Aurelianos, que tinham o objetivo de desvendar os pergaminhos misteriosos de Melquíades, o Cigano. Estes pergaminhos têm o fecho da história dramática da família e apenas será decifrado quando o último estiver às portas da morte.
Na minha opinião, as expectativas para este livro eram altas, pois já tinha tido contacto com outras obras do autor, como, por exemplo, “O General no seu labirinto” e “Crónica de uma morte anunciada”. A forma como o escritor, através de acontecimentos inesperados e fantásticos, consegue criticar a sociedade, apresentar-nos problemas com que lidamos diariamente e fazer-nos sentir um misto de emoções ao longo do texto, é muito interessante e, de facto, cativa o leitor.
Abrir este livro é apreciar toda uma magia na literatura. Um conjunto de acontecimentos que nos faz ansiar pelo fim, sem querer que este chegue e nos traga o desgosto de não podermos continuar envolvidos na história. Abrir este livro é conhecer o melhor texto de Gabriel García Márquez.
Poemas de Deus e do Diabo, primeiro livro de José Régio, cuja primeira edição data de 1925, apresenta-se como uma criação misteriosa e, por isso, eterna, tal como deve ser qualquer obra de arte, de acordo com o que afirma o poeta no posfácio da edição de 1972.
Fruto do movimento literário modernista, os poemas revelam algumas características desta corrente, tais como a rutura com a tradição, o espírito crítico e questionador, mas vão para além destas, no sentido em que refletem também influências da dialética hegeliana. Assim, podemos observar as dicotomias Deus / Diabo (Ronda dos Braços Quebrados), Bem/Mal (Painel), amor espiritual / amor carnal (Adão e Eva) ou relativo / absoluto, forças antagónicas que entram em conflito e que se tornam a essência do ser humano.
Pela leitura que fiz, apercebi-me de que há na poesia de José Régio uma constante busca de reflexão do processo de dualidade no Eu, que se experiencia numa angústia constante, na dor que se sente por causa dessa conflitualidade, o que confere à sua obra um caráter bastante dramático.
De todos os poemas que li, o que mais me fascinou foi “Cântico Negro”, em que a conflituosidade do Eu se revela aos Outros como impenetrável; senhor do seu destino que perante todas as tentações afirma que “Não sei por onde vou, / - Sei que não vou por aí.”
Consegui apreender na leitura destes poemas um contínuo questionamento das incertezas em que o Eu vive, o que, por sua vez, mostra, mais uma vez, a influência da poesia de Fernando Pessoa.
Publicado em 1913, “Do lado de Swann” é o primeiro volume da série de livros “Em Busca do Tempo Perdido” do autor francês Marcel Proust.
Disposto em três partes, no primeiro capítulo do romance, o narrador (alter-ego de Proust) relembra com um tom poético e nostálgico a infância e as boas memórias que tem de Combray, a província onde nasceu. O segundo episódio da obra, “Um amor de Swann”, relata a paixão e ciúme devastador de Charles Swann, um cavalheiro aristocrata, pela jovem prostituta Odette de Crécy. Swann vive perto da família do jovem narrador e é profundamente admirado por este, sendo que, por sua influência, o amor movido pelo ciúme irá aparecer na vida do sujeito narrativo em duas das suas paixões, uma delas por Gilberte, filha de Swann e Odette, de quem fala no terceiro capítulo.
Com a sua escrita, apesar de um pouco difícil e muito detalhada, Proust desperta em nós as mais variadas sensações, fazendo-nos recordar momentos e refletir sobre o que faríamos em situações semelhantes. “Do lado de Swann” é sobre a passagem do tempo e o seu efeito na vida das pessoas. Além disso, o livro é um reflexo da sociedade francesa da época, pelo que percebemos os seus costumes, preconceitos, hipocrisias e a forma como esta beneficia as pessoas da grande sociedade, independentemente da forma como são e agem. A meu ver, Swann é um bom exemplo desta crítica, sendo, para mim, um homem mulherengo, interesseiro e desrespeitoso, que usa o seu alto papel na sociedade para seu próprio benefício, não tendo qualquer consideração pelas mulheres com quem se envolve.
Esta é uma obra semiautobiográfica, profundamente reflexiva e desafiante que nos fala sobre o tempo e a sua fugacidade, o amor, as recordações e as vivências do autor, ainda que contadas por um personagem, e que nos transporta para um turbilhão de pensamentos, paixões e visões críticas, transformando a sua história na nossa própria história.
“Era um dia claro e frio de Abril, nos relógios batiam as treze.”. É assim que começa “1984”, de título original “Nineteen eighty four”, o grande romance de George Orwell. Neste livro, Orwell sistematiza a sociedade e expõe a mente humana e suas fraquezas. O enredo de “1984” retrata a civilização de “Oceânia”, um superestado regido pela tirania, que mantém uma hierarquia constante e inquestionável. Aqui, a obediência do povo é assegurada através do medo, da insegurança e do caos, causados pelo perpétuo clima de guerra. Winston Smith, o personagem principal, trabalha no “Ministério da Verdade”, onde participa na constante alteração da verdade e da História. É através da total abolição do passado e controlo total do futuro, aliados ao controlo da língua e dos pensamentos, que o “Partido” (SOCING) controla toda a população. “GUERRA É PAZ, LIBERDADE É ESCRAVATURA, IGNORÂNCIA É FORÇA”, são os três slogans do SOCING.
“1984” não é uma simples distopia. “1984” já existia quando foi escrito, em 1949, e existe hoje, quase quatro décadas depois. Continua a ser assustadoramente real. Esta é uma obra que tem imenso valor tanto para a filosofia política como para a literatura. Não só nos permite observar as engrenagens que moviam a sociedade da “Oceânia”, e em certa medida as da nossa sociedade, mas também é possível ao mesmo tempo desfrutar de um livro brilhante, cujas personagens são dotadas de personalidades variadas e bem construídas, e que vão mudando ao longo do tempo conforme são influenciadas pelas relações que se estabelecem entre elas.
Este livro partilha de algumas características típicas dos poemas de Fernando Pessoa ortónimo. É possível identificar claramente a dor de pensar em Winston e a dinâmica entre observador consciente e observado inconsciente é também muito presente ao longo da obra, especialmente no início da ação. Algo que não estava à espera de encontrar, mas que despertou a minha curiosidade em “1984”.
Em suma, devido à extensão razoável, abordagem de temas interessantíssimos e de leitura agradável e simples, mesmo para os mais jovens, recomendo vivamente a leitura de “1984” de George Orwell. Um romance que permanecerá sempre atual.
“Se isto é um homem”, de Primo Levi, é um livro autobiográfico que ganhou um lugar no panorama literário mundial pela descrição vívida e impressionante de um dos acontecimentos mais trágicos da humanidade – o Holocausto.
O autor relata a sua experiência em primeira mão enquanto prisioneiro judaico no campo de Auschwitz, onde permaneceu entre fevereiro de 1944 e janeiro de 1945.
Primo Levi, um jovem químico italiano, foi capturado pela Milícia fascista em dezembro de 1943, tendo sido, posteriormente, deportado para Auschwitz, onde ficará pouco mais de um ano. Logo no início do livro, assume a sua “sorte” por ter sido capturado numa época em que os alemães, devido à falta de mão-obra, decidiam prolongar a vida dos prisioneiros. Apesar de não ter suportado os piores horrores do “Lager”, onde o tempo médio de sobrevivência era de 3 meses, o seu testemunho pretende alertar as consciências para os horrores experienciados, tendo inclusive um efeito catártico que não o impede todavia de resistir ao suicídio que ocorre em 1987, em Turim.
Há episódios marcantes que chocam o leitor quando este se imagina fora do conforto da sua casa ocidental e se vê privado dos direitos humanos básicos que sustentam a dignidade do ser humano. Por exemplo, quando o protagonista se lamenta pela falta da sua escova de dentes, um símbolo que acentua a perda de identidade e o estar longe de casa. Também o facto de os prisioneiros judeus provenientes de vários países não se entenderem entre eles, numa “perpétua Babel”, serve para ilustrar a solidão do indivíduo. O quotidiano marcado pela sujidade, pelos parasitas no corpo, pelas chagas, pela fome, no fundo, todas as vivências num campo de concentração acompanham o leitor muito para lá da leitura desta obra.
O livro elenca toda uma série de episódios de humilhação, privação e violência levados a extremos indignos da condição humana. Por outro lado, é também um hino à capacidade de superação humana, solidariedade e união.
Como o próprio autor afirma, ninguém deveria sair do campo com a “terrível notícia do que, em Auschwitz, o homem teve coragem de fazer ao homem”.
“Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada”, de Pablo Neruda, é um pequeno mas marcante livro que reúne exatamente aquilo que descreve: vinte lindos poemas de amor e, para finalizar, uma canção desesperada, um último e bonito adeus à musa em quem se inspirou.
Confesso que, quando li o resumo da obra no livro de português, fiquei um bocado de pé atrás. Por muito ridículo ou até pretensioso que pareça, tinha receio de que os poemas fossem demasiado lamechas, e mais medo ainda de gostar... Apesar de ainda não ter sido capaz de encontrar a fonte do meu desconforto em falar destes temas em público, começo a pensar que talvez seja porque estas matérias do coração fazem o meu eu mais vulnerável vir ao de cima, mas percebo que é precisamente isso que o amor faz. Ele exige vulnerabilidade, sinceridade, e é precisamente isso que o autor nos demonstra.
“Era a negra, negra a solitude das ilhas,
e lá, mulher de amor, me acolheram os teus braços.
Era a sede e era a fome, e tu foste a fruta.
Era o duelo e as ruínas, e tu foste o milagre.”
Apresenta-se-nos, assim, um jovem Pablo Neruda que ama e sente intensa e dramaticamente (como é típico da idade), com o qual me identifico profundamente, tanto que, de certa maneira, penso que me ajudou a perceber melhor como manifesto e interpreto estes sentimentos.
Há algo na poesia que a prosa não consegue igualar, por muito que tente, e, para os iniciantes no género, penso que esta é uma ótima primeira leitura! Dito isto, recomendo vivamente esta obra a todos os românticos incuráveis, bem como aos que não o são, porque certamente serão capazes de retirar daqui algo tão lindo quanto o que leram.
Os escritores que buscam inspiração nas suas cidades para as suas obras são imensos. No entanto, destaca-se nesta extensa lista, sem sombra de dúvida, Orhan Pamuk. Dificilmente se poderá conhecer melhor Istambul do que em “Istambul – Memórias de uma Cidade”, escrita por este autor turco, vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2006, publicada em 2008 e editada pela Presença.
Nesta obra, um autêntico livro de memórias, Pamuk reflete sobre Istambul e a Turquia, recorrendo a um portefólio de fotografias a preto e branco e relatando também a história da sua experiência vivencial. A meu ver, é genial a forma como o autor ao longo da obra nos conta as suas metamorfoses enquanto pessoa e simultaneamente aborda as mutações que a cidade sofreu ao longo dos anos. Desta forma, podemos constatar que Pamuk e Istambul estão profundamente interligados, denotando-se uma grande sensibilidade do autor em misturar a sua vida com a vida da cidade, sendo esse um dos aspetos que mais me marcou durante a leitura deste livro.
Para além disso, neste livro, o nobelizado também aborda temas como a melancolia inerente à cidade e ao seu povo, decorrentes da queda do império Otomano e da ocidentalização de Istambul, que o autor critica ao longo da obra. Também é de sublinhar as descrições pormenorizadas e sentidas da sua infância, quando recorda os incêndios que destruíam os edifícios antigos, as ruínas do império Otomano e o edifício Pamuk, um prédio onde todos os membros da sua família habitavam, recordando-o dos museus ocidentais. Do meu ponto de vista, os capítulos dedicados à vida do autor são os mais fascinantes, pois captam a atenção do leitor e perdem o carácter descritivo que outros capítulos apresentam.
No entanto, esta obra não é de fácil leitura e creio que, em certos capítulos, a leitura se torna um pouco cansativa devido a esse mesmo carácter descritivo, que poderia ser encurtado.
Em suma, “Istambul – Memórias de uma Cidade” é um livro interessante, visual e com um testemunho incrível sobre uma cidade dividida entre a identidade oriental e ocidental, influenciando o autor. Assim, recomendo a sua leitura.
“Nome de Guerra“ é um romance de aprendizagem de um jovem proveniente de uma família rica, escrito por Almada Negreiros. Esta obra foi escrita em 1925 e apresenta como tema principal a luta entre a personalidade do protagonista e as normas que a sociedade lhe impõe.
Este livro tem como personagem principal Antunes, um rapaz da província cuja vida é fortemente influenciada pela vontade dos pais e do tio. Antunes é enviado para Lisboa pelo tio, onde fica ao cuidado do seu amigo Jorge, com o objetivo de o preparar para as atividades masculinas. Em Lisboa, Antunes conhece Judite, uma mulher da noite que carrega ódio e que dá a conhecer ao protagonista uma realidade à qual ele nunca teve acesso. Judite vem contrastar com a mulher pura da província, a Maria, que ama Antunes sem restrição. Mais tarde, é através da morte de Maria que o jovem se apercebe da inevitabilidade do destino e da importância do exercício das vontades próprias.
Esta obra literária, na minha opinião, faz com que o leitor reflita sobre a importância da liberdade e como é essencial não nos deixarmos influenciar pela vontade dos outros.
Almada Negreiros recorre a uma escrita bastante simples e a várias figuras de estilo, destacando-se o uso da ironia, pelo que a compreensão da obra é facilitada a todos os leitores desde o início, tornando-se um livro acessível a todas as idades. Ao longo do livro, percebemos que as personagens representam exemplos de problemas da sociedade do século XX, e é através delas que deparamos com as consequências da existência de uma sociedade egoísta e materialista.
Este é um livro que nos surpreende a cada página, pois não esperamos nada do que vem a seguir. O autor consegue prender-nos ao livro, pois acabamos por querer saber o que vem depois, o que acontece com personagens e o que elas fazem.
Eu considero que esta obra se dirige essencialmente aos jovens e, por isso, acho que a geração mais nova devia ler este livro. Por fim, apoio a ideia de que todos nós devemos ter liberdade e pensamento próprio.

Escolher um livro de entre um universo tão vasto que nos é oferecido não é tarefa fácil.
Podia simplesmente olhar para a minha estante e escolher um ou até entrar numa biblioteca e procurar algum volume que me lembrasse
os momentos de lazer que pude desfrutar nas suas páginas. Podia talvez escolher um bestseller atual ou, por outro lado, algum livro
que tenha dado origem à sua versão cinematográfica. A minha escolha revelou-se difícil, tantos são os títulos e os temas que me fascinam.
Contudo, fiz a minha escolha. O livro de que vou falar é de um autor português que muito admiro: Eça de Queirós. Li-o pela primeira vez quando
tinha a idade dos meus alunos. O livro era pesado e tinha muitas páginas o que, para mim, era sinónimo de muitas horas de prazer no silêncio
de um espaço escondido e pouco iluminado. Era quase como se participasse num desafio cujo objetivo fosse permanecer ali, quieta, sem
ser encontrada.
A história cativou-me desde a primeira página e prendeu-me até ao fim, numa leitura voraz e quase delirante.
Os espaços descritos eram fantásticos, os costumes muito mais interessantes do que os meus, a vida era uma surpresa e as personagens
fascinantes! Neste romance, o galã partia corações e fez o meu bater com mais força em muitos momentos do enredo, fazendo-me invejar
Gouvarinhos e Marias Eduardas.
A certa altura, as personagens avolumavam-se e as suas histórias cruzavam-se, povoando as páginas de intrigas, mortes, amores, desamores
e muito humor! Arranjei um bloco onde fui anotando os nomes de personagens e as relações que mantinham entre si, tão rico era o universo
queirosiano! E eu não me queria perder, ao dobrar a página, no peristilo do Hotel Central, entre “o magote apertado de gente” no hipódromo
ou deixar de apreciar o jantar dos Gouvarinhos ou o Sarau da Trindade.
Vivi na Quinta de Santa Olávia com o velho Afonso da Maia e ri das brincadeiras do jovem Carlinhos. Por diversas vezes, visitei o Ramalhete
e os seus jardins. Chorei mortes e desamores. Ao virar da última página, quis acompanhar o Carlos e o Ega na sua corrida para o “americano”.
O livro de que falo é, claro está, Os Maias de Eça de Queirós.
Nunca tinha lido Afonso Cruz e foi uma longa e incrível descoberta. A escrita é maravilhosa e tão leve que conseguimos acompanhar
a história ao mesmo tempo que refletimos sobre ela. Dei por mim a fechar o livro e ficar a olhar para o vazio para digerir tudo
o que tinha lido.
A bordo do navio que o levaria aos Estados Unidos, Sors pensava na mãe, que o esperava com os três pratos à mesa e a roupa do pai esticada na cama.
Pensava em Wilhelm e FrantisKa, sentados com ela, entreolhando-se a meio da conversa, interrogando-se sobre o porquê de dois pratos a mais sobre a
mesa. Teriam já filhos? Teriam estes os olhos cruéis de Frantiska? Ou a obsessão por livros e escritores de Wilhelm?
Recuou alguns anos, até aos dias na Academia. Pensou em Vavra e na forma como desistira dos seus sonhos por um posto e uma gravata. Pensou na guerra,
em Matej, nas trincheiras enlameadas, no gás mostarda a invadir-lhe os sentidos.
Pensou em Frantiska, mas não na atual Frantiska. Pensou numa Frantiska sua vizinha, na escada que usava para saltar o muro, no baloiço da Frantiska,
nos seus desenhos de Frantiska inacabados... Algo no fundo da sua mente o levava à doce ilusão de estar a voltar para essa Frantiska. Não para a
Frantiska adulta, casada e sua “amiga”; mas para uma Frantiska de treze anos, de crueldade estampada nos olhos, e que lhe atirava bolas de neve com violência.
Sors sorriu, em meio à amargura em que se tinha tomado a sua vida. Passara todos aqueles anos a podar os “ramos” da sua árvore, em busca de crescimento
infinito; e, naquele momento, sentia todos os ramos a nascer de novo, só que, desta vez, não se preocupou em cortá-los.
Mil Vezes Adeus, de John Green, é um maravilhoso livro que aborda diversos temas do quotidiano, entre os quais um problema do qual
o escritor sofre desde muito novo.
Este romance retrata a vida de Aza, uma adolescente que sofre de uma doença mental que a impede de aproveitar as pequenas coisas que
acontecem na sua vida, pois pensa obsessivamente que, a qualquer momento, poderá contrair uma doença provocada por uma bactéria e
morrer. Aza não consegue parar os seus pensamentos, sendo incapaz de fazer coisas que a maior parte das pessoas não tem problemas
em fazer, com, por exemplo, cumprimentar os amigos e interagir com eles ou, simplesmente, demonstrar carinho para com a sua mãe. Mas,
num dia como outro qualquer, a sua amiga Daisy conta-lhe a história de um empresário milionário que desaparecera havia alguns dias,
havendo uma recompensa de uma enorme quantia monetária para quem o encontrasse. Assim sendo, esta pede ajuda a Aza, para procurarem o
homem, uma vez que o filho do desaparecido, Davis, é amigo de Aza.
Eu considero as personagens de Mil Vezes Adeus bastante interessantes, pois cada uma possui uma personalidade muito própria e
cativante. Contudo, quem me chama mais a atenção é Davis, pois é um rapaz com todas as regalias que alguém poderia ter, mas, mesmo
assim, sente-se só, embora não o demonstre e tente parecer forte.
Os ambientes onde decorre a ação são todos muito diferentes: é descrito o ambiente da escola de Aza, a casa dela e a de Davis, que são
o oposto, uma vez que Davis vive numa mansão e Aza não. É descrito também o consultório que Aza frequenta, devido à sua doença. Por fim,
retrata-se o rio da cidade, que é o ponto de atração mais importante.
Em suma, penso que este é um dos melhores livros de John Green, uma vez que, para além ser original, retratando um tema que poucos
escritores abordam, está muito bem escrito, o que torna a sua leitura cativante e viciante. Enquanto não se chega à última página,
ninguém consegue parar de o ler!
Quais os critérios para se recomendar a leitura de um livro? Tem de contar uma história interessante, pertencer a um género de que gostemos, ter
personagens com quem nos identifiquemos e motivar-nos até à última página.
Há dois livros que, para mim, cumprem estes requisitos: Qadehar, o feiticeiro, de Erik L’Homme, e O filho da rainha gorda, de Maria Filomena Mónica.
O primeiro relata a história de Guilherme de Troll, um rapaz que vive com a sua mãe numa ilha perdida. Ele descobre que tem poderes mágicos e rapidamente
é transformado num aprendiz por um poderoso mago. Ele inicia uma viagem em busca do seu pai por terras misteriosas e cheias de fantasia. Neste romance,
surpreendeu-me a história e o mundo que aqui é descrito. Só pela criatividade e originalidade da criação do espaço já vale a pena lê-lo.
O segundo, O filho da rainha gorda, retrata a história da rainha D. Maria II e de seu filho D. Pedro V, depois da independência do Brasil. Gostei bastante
deste livro por ter um fundo histórico, que me interessa particularmente, e pelo título sugestivo que faz referência ao aspeto físico de D. Maria no final da sua vida.
Ler livros de diferentes géneros é bastante enriquecedor e quebra a monotonia diária. Há sempre um livro para cada um de nós, só temos de descobrir qual é ele.
Já li muitos livros bons e de que gostei muito, como, por exemplo, O Manuscrito, de John Grisham, Sem Saída, de Taylor Adams,
ou mesmo Os Da Minha Rua, de Ondjaki. Uma leitura que realmente sugiro a todos não é propriamente um livro, mas sim uma série
de livros, é a coleção Cherub de Robert Muchamore.
Nesta coleção, a personagem principal é James Adams, que, depois de ter perdido a mãe, andou por várias Instituições. Um dia,
a diretora de uma dessas instituições levou-o para o seu gabinete. A partir daí, James apenas se lembra de ter estado nesse
gabinete e de ter acordado num quarto completamente diferente.
A vida dele acabara de mudar, pois, sem saber como, estava numa "escola" secreta, que pertencia aos serviços britânicos, o MI6.
Nessa escola, estavam apenas crianças que não tinham pais ou família (podiam ter irmãos, que estariam também eles nessa
mesma escola).
Essa escola (que mais parecia um hotel luxuoso) transformava estas crianças em espiões que realizavam missões por todo o mundo.
Recomendo a coleção Cherub a quem gosta de suspense, muita ação e que tenha uma boa dose de imaginação também!
Peter V. Brett, que vive em Brooklyn, Nova Iorque, com a sua mulher e filha, é o autor best-seller internacional
de O Homem Pintado e de A Lança do Deserto. Formou-se em Literatura Inglesa e História da Arte na Universidade de
Buffalo, em 1995, e passou mais de uma década no ramo das publicações farmacêuticas antes de regressar à sua paixão
pela fantasia.
Esta obra retrata um mundo onde os demónios comandam a noite, sendo as guardas mágicas a única defesa do homem.
Arlen é um rapaz corajoso que, quando a sua mãe estava quase a morrer, se aventurou em busca da cidade livre. Leesha é
uma rapariga inteligente e determinada que, um dia, ao salvar um rapaz de 10 anos, se tornou a melhor ervanária do mundo.
Roger, um rapaz divertido e otimista, perdeu a mãe quando era pequeno, ficando à guarda de um jogral que o tornou seu aprendiz.
Juntos estes três jovens oferecem à humanidade uma última e fugaz hipótese de sobrevivência. O mundo está nas suas mãos, mas
serão eles capazes de o salvar da escuridão?
Eu gostei especialmente deste livro, porque retrata uma visão alternativa e fantasiosa do mundo real. Com uma linguagem bem
construída e fácil de compreender, o autor consegue criar harmonia na alternância das histórias das três personagens e entre
as analepses e as prolepses, “capturando” o leitor nas suas páginas.
É fácil identificarmo-nos com as personagens e com as suas batalhas internas e externas, que trazem ao de cima uma grande onda
de emoções devido às atrocidades e tormentos que estas tiveram de ultrapassar durante a sua jornada.
Recomendo a leitura de O Homem Pintado, pois este romance ensina-nos que temos de ser fortes e que nunca devemos desistir,
seja qual for a situação pela qual estamos a passar.
Jenny Han, nascida em 1980 e oriunda de uma família coreana, frequentou a Universidade da Carolina do Norte e tornou-se
escritora de best-sellers como O verão em que me apaixonei, P.S. Ainda te amo ou A todos os rapazes que amei.
Lara Jean, protagonista de A todos os rapazes que amei, é uma rapariga que vive fortemente as suas paixões, e que desabafa
escrevendo cartas aos seus amados, mas nunca as enviando. Um dia, após ter sido confrontada por Peter Kavinsky, um dos cinco
destinatários das suas cartas, Lara Jean descobre que estas foram enviadas. À conta disto, Peter convence a protagonista da
história a terem uma relação falsa, de modo a irritar a sua ex-namorada. Após muitos “solavancos”, Peter e Lara Jean apaixonam-se.
Antes de mais, tenho de admitir que gostei muito da história. Livros deste género, romances destinados a jovens-adultos, são o
meu pequeno guilty pleasure. Lara Jean é uma personagem verdadeiramente apaixonante e com a qual é bastante fácil criar uma
ligação. A todos os rapazes que amei é um livro caloroso e de fácil leitura que recomendo a todos os que apreciam uma história
romântica sem muita tragédia e muito bem escrita.
Se eu tivesse a fantástica oportunidade de conversar com Auggie, o protagonista de Wonder, de R. J. Palacio, eu acho que até me iam faltar
as palavras! No entanto, iria fazer-lhe algumas perguntas e dar-lhe apoio e motivação.
Começava por saudá-lo e, de seguida, apresentava-me, para haver mais confiança e criar um ambiente mais leve. Quando sentisse que August estava
preparado para conversar comigo abertamente, perguntava-lhe se ele não tinha, também, vontade de fazer caretas ao ver as outras pessoas, visto
que elas são diferentes e o diferente é associado ao mau. Isto, claro, em tom cómico.
Depois, para envolver o assunto “escola”, questionava-o sobre o que menos gostava na sua estrutura e, se pudesse, o que mudava. Com esta pergunta
hipotética, August iria sentir-se mais confiante ao entrar no seu mundo imaginário, sentindo-se, assim, mais seguro e psicologicamente menos
afetado, com o facto de estar a falar com uma pessoa sem os problemas dele.
Relembrando-o da sua ovação no final do quinto ano, ia querer saber mais sobre o que sentiu quando as pessoas se levantaram a aplaudir, e
pedir-lhe-ia para tentar descrever a incrível sensação, embora eu soubesse perfeitamente que não daria para o fazer.
De seguida, falar-lhe-ia de Jack e Summer, o que ia deixar August feliz, ao relembrar-se do quão amigos eles são.
Uma questão interessante que eu gosto sempre de colocar é: “se pudesses voltar atrás no tempo, o que mudavas?”, assim como: “se pudesses
ir ao futuro, para que altura ias?”. Neste caso, também as colocaria a Auggie.
Para terminar a conversa, iria dar-lhe muita força e dizer-lhe que, por piores que as pessoas sejam para nós, devemos sempre fazer o bem e,
principalmente, remover essa gente tóxica da nossa vida.
Quando um dos princípios de um livro é: "Quando puderem escolher entre ter razão e ser gentis, prefiram ser gentis.", vale certamente a pena
ler e descobrir a bela história que se esconde entre as suas páginas...
Um amor em tempos de guerra
Foi devido a este título que fiz a minha escolha de leitura. Neste romance de Júlio Magalhães, somos levados para África, durante a guerra do
Ultramar, com António como protagonista. Rapaz típico das terrinhas de Portugal, vizinho de Salazar em Santa Comba Dão, que nunca dela
tinha saído, apaixonado pela rapariga mais linda da aldeia e de casamento marcado, António é chamado para recruta da tropa e poucos meses depois
destacado para Angola. E é aqui que viajamos com ele, de barco, como tantos milhares de homens que partiram em vão, lutando por uma guerra que
não era deles, iludidos e pensando estar a fazer o bem.
Um amor em tempos de guerra relata uma história de amor como tantas outras: Amélia e António apenas querem casar e ser felizes, mas a Guerra
intromete-se no destino sonhado e António acaba por ir para Angola. O casamento adiado até ao regresso deste é a primeira de várias decisões que são
tomadas quando não há outra alternativa. A partir daí, tudo se vai desmoronando. Fica perfeitamente demonstrada a estupidez que é a Guerra, a forma
como afetou a vida de tantas pessoas, como provocou mortes, feridos, traumatizados… como marcou a vida e o destino de tantas famílias… e a conclusão
quando se fala deste tema é sempre a mesma…Para quê? Para nada…
Recomendo muito a leitura deste romance, pois, para mim, foi compulsiva e poucos dias chegaram para percorrer as suas cerca de 300 páginas. Umas vezes,
emocionou-me outras revoltou-me, mas, acima de tudo, deu-me a alegria de ver descritos alguns pormenores que devem ser comuns a todos os que
combateram: a amizade que surgiu entre António e os companheiros que conheceu desde a recruta até à ida para Angola é muito realista, está muito próxima
da realidade de conversas a que eu própria já assisti.
Enfim, Um amor em tempos de guerra é um livro sobre a Guerra, mas, principalmente, sobre as pessoas envolvidas e sobre as suas emoções, sobre a
família, o amor e a amizade. Tem tudo para chegar ao público e ser um motor de esclarecimento contra a ignorância que (ainda) existe sobre a nossa
história, principalmente sobre a nossa história recente.
Uma extraordinária lição sobre os mais nobres valores humanos.
Só podia ser ele. Já vira várias fotografias de Leon Leyson em livros sobre a Segunda Guerra Mundial. Parecia-me,
no entanto, uma coincidência grande de mais encontrá-lo naquele exato momento e naquele lugar. Qual seria a
probabilidade de isso acontecer?
Estava eu a pensar se o devia abordar ou não, quando ele resolveu esse meu dilema. Ao reparar que eu estava a olhar
para ele, ele próprio se aproximou de mim:
- Olá – disse – pareço-te familiar?
- Pois… - gaguejei eu, com um riso nervoso.
- De onde me conheces? – perguntou – Do meu livro de memórias O Rapaz do Caixote de Madeira?
- Sim. E também de outros livros que li e que falam de si.
- Já vi que gostas de ler.
- Sim – respondi.
Havia uma questão que não deixava de me incomodar:
- Se não é indiscrição, o que faz aqui?
- Vim dar uma palestra sobre a minha experiência: tinha apenas dez anos quando os nazis invadiram a Polónia em 1939
e a minha família foi forçada a viver no gueto de Cracóvia. Felizmente, o nosso caminho cruzar-se-ia com o de Oskar
Schindler, que nos incluiu na célebre lista dos trabalhadores da sua fábrica.– e olhando para o relógio – Agora tenho
de ir, está na hora.
Ia a continuar o seu caminho, quando olhou para mim e disse:
- Já que gostas tanto de ler, pede aos teus pais para te levarem e, se apareceres por lá, pode ser que te chame.
Leon Leyson não me dececionou, apresentando-me no palco como um grande fã dele!

Ilustração: Anabela Lapa, 12.ºC
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Ilustração: Helena Pinheiro, 12.ºC
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Ilustração: Dina Ferreira, 12.ºC
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A história de uma menina síria vítima da guerra. Um apelo à paz.
Quando Bana Alabed, uma menina de oito anos, acedeu ao Twitter para descrever os horrores da guerra na Síria, onde ela e
a família viviam, as suas mensagens angustiantes emocionaram o mundo e deram voz a milhões de crianças inocentes.
Se eu tivesse a grande oportunidade de conversar com Bana Alabed, far-lhe-ia muitas perguntas:
- Bom dia, Bana, queria fazer-te algumas perguntas, se puderes responder…
- Bom dia! Claro, adoro que as pessoas se interessem e queiram saber mais sobre mim.
- Começo por te dizer que te admiro muito, és uma autêntica guerreira.
- Obrigada! Eu gostaria de transmitir ao mundo, principalmente às crianças, que devemos superar os nossos obstáculos,
sempre, com uma postura forte e alegre.
- Durante a escrita do teu livro, qual foi o momento mais triste e marcante para ti?
- Durante a guerra, todos os momentos que vivi foram muito marcantes, mas o que mais me traumatizou foi descrever
pormenorizadamente a forma como Yasmin morreu… ela era uma das minhas melhores amigas…
- Neste momento, quais são as coisas mais importantes para ti?
- Sem dúvida, a felicidade da minha família e a de todas as crianças.
- Que projetos tens, agora que vives em paz?
- Quero continuar a dar a conhecer às pessoas o que realmente é a guerra e a apelar cada vez mais à paz.
- Obrigada, Bana, por teres perdido uma parte do teu precioso tempo para responderes a estas perguntas. Espero que o mundo
perceba o que aconteceu, realmente, durante a guerra. Para além disso, tenho de te felicitar, pois li o teu livro e,
simplesmente, adorei. É um relato emocionante que todos devem ler!
- Fico feliz por isso, mas sem a ajuda da minha família e das pessoas que me apoiaram no Twitter, provavelmente, não
estaria aqui agora, por isso, eu é que agradeço.

Ilustração: Anabela Lapa, 12.ºC
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Ilustração: Helena Pinheiro, 12.ºC
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Ilustração: Dina Ferreira, 12.ºC
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A Seleção é o primeiro livro da série com o mesmo nome da autoria de Kiera Cass, uma americana nascida a 19 de maio de 1981, nos EUA. Kiera cresceu na
Carolina do Sul e é formada em História pela universidade de Radford. A série A Seleção colocou-a no primeiro lugar da lista de livros mais vendidos
do New York Times.
Iléia, reino dividido em castas, tem uma tradição: quando o herdeiro do trono se prepara para casar, são selecionadas trinta e cinco raparigas candidatas
à coroa. Para estas raparigas, a Seleção é a oportunidade de uma vida. É a possibilidade de escaparem de um destino que lhes está traçado desde o nascimento,
de se perderem num mundo de vestidos cintilantes e joias de valor inestimável, de viverem num palácio e competirem pelo coração do belo Príncipe Maxon. No
entanto, para America Singer, ser selecionada é um pesadelo. Terá de virar as costas ao seu amor secreto por Aspen, que pertence a uma casta abaixo da sua,
deixar a sua família para entrar numa competição feroz por uma coroa que não deseja, e viver num palácio constantemente ameaçado pelos ataques violentos dos
rebeldes. Mas é então que America conhece o Príncipe Maxon. Pouco a pouco, começa a questionar todos os planos que definiu para si mesma e percebe que a vida
com que sempre sonhou pode não ter comparação com o futuro que nunca imaginou.
Li esta história maravilhosa e apaixonante em apenas três dias. No final do livro, não sabemos qual será a escolhida do príncipe, por isso estou muito ansiosa
para ler A Elite, a continuação desta saga.
Recomendo a leitura de A Seleção, pois é um romance adequado à nossa idade que, tenho a certeza, mudará as vossas vidas!
Estelle Maskame é uma autora escocesa de 21 anos que escreve romances cujos protagonistas são jovens. Com apenas 17 anos, assinou um contrato com a editora
"Black & White Publishing", que publicou as suas histórias no Wattpad, e estas já foram lidas mais de 4 milhões de vezes. Os livros mais conhecidos da autora
são: Já te disse que te amo? e Já te disse que tenho saudades tuas?.
Já te disse que te amo? é uma típica história de amor proibido, que nos transporta para Los Angeles. Eden, de dezasseis anos, vai passar o verão na Califórnia
com a nova família do seu pai, numa tentativa de esquecer o drama que deixou em casa. Ao conhecer Ella, a sua madrasta, e os seus três filhos, Eden mal sabe
o que a espera... O filho mais velho, Tyler, é egocêntrico, bruto, e Eden não o consegue suportar. Mas, com o decorrer do tempo, eles acabam por passar juntos
momentos únicos e criam uma forte ligação. Ambos descobrem mais sobre o passado de cada um e isso faz com que aconteça uma coisa que ninguém esperava… É caso
para dizer: o amor é inesperado!
Já te disse que te amo? é um livro perfeito para jovens, pois ele ajuda-nos a perceber o que está certo e o que está errado. Além disso, também nos ensina que
não podemos julgar as pessoas sem as conhecermos. Através das personagens, temas como a droga, a violência e até o abandono são abordados de uma forma interessante,
mas a questão principal é que só estamos preparados para amar outra pessoa quando todos os nossos fantasmas forem superados. Recomendo muito a leitura deste romance!
Mary Ann Shaffer nasceu em 1934, em Virgínia, nos Estados Unidos da América. A sua vida foi dedicada aos livros, tendo sido escritora,
bibliotecária, editora e funcionária de uma livraria. Ficou conhecida pela obra A Sociedade Literária da Tarte da Casca de Batata. Faleceu a
6 de fevereiro de 2008.
Annie Barrows nasceu em 1962, na Califórnia, e é sobrinha de Mary Ann Shaffer, sendo também editora e escritora. Escreveu inúmeros livros para
adultos, mas a sua obra mais conhecida é a coleção de livros infantis “Ivy and Bean”.
Em 1946, a jovem escritora Juliet Ashton procurava algo que a inspirasse para o seu novo livro. Após começar a corresponder-se com Dawsey
Adams (um dos habitantes da ilha de Guernsey), a britânica rapidamente fica interessada em saber mais sobre a história dos habitantes da
ilha. Assim, começa a corresponder-se com os ilhéus, ficando a saber da curiosa existência da Sociedade Literária da Tarte da Casca de Batata
formada durante a Segunda Guerra Mundial. Era um clube secreto de leitura em que se debatiam livros e formas de pensar. Com esta ligação,
Juliet cria fortes laços de confiança e amizade.
Não é o primeiro livro que leio que retrata a Segunda Guerra Mundial, o que me permite opinar de uma forma mais clara e justa sobre a obra A
Sociedade Literária da Tarte da Casca de Batata e referir que nunca li um livro que abordasse o Holocausto de uma forma tão suave e, de certa
forma, alegre.
Numa coletânea de cartas trocadas entre Juliet Ashton e os naturais da ilha de Guernsey, é dada a conhecer a forma peculiar como esta verídica
sociedade secreta foi criada, num tempo em que tudo era controlado, quer fosse a forma de pensar, quer fosse a quantidade de comida distribuída
pela população.
Com umas pitadas de humor aqui e ali e um pouco de amor à mistura, é revelada a forte ligação criada entre Juliet e os naturais da ilha, por meio,
apenas, de correio, levando Juliet a querer conhecê-los e vice-versa.
Possuindo pormenores idealistas, mantendo, contudo, o seu caráter realista, tomamos conhecimento de mais um dos cenários da Segunda Grande Guerra,
mas visto de um outro panorama: menos deprimente, infeliz e austero, para passar a ter contornos mais harmoniosos e luminosos. Basicamente,
encaramos a mesma realidade, simplesmente mudamos de perspetiva.
Com esta obra, apercebemo-nos de que a alegria está nos detalhes, num jantar acolhedor com quem mais gostamos, na oportunidade de contactarmos com
outras pessoas, podendo trocar opiniões e lições de vida ou no simples receber da carta que tanto ansiamos.
A Sociedade Literária da Tarte da Casca de Batata é, assim, o melhor livro para os apreciadores de cartas, boa companhia, História e, claramente, tarte!
John Green, blogger, empresário, produtor e escritor, nasceu a 24 de agosto de 1977 em Indianápolis e atualmente é um dos mais bem-sucedidos
autores de livros para jovens. Escreveu várias obras premiadas, sendo a mais conhecida “A culpa é das estrelas”.
Maureen Johnson nasceu na Pensilvânia, a 16 de fevereiro de 1973, e é uma escritora de ficção para jovens. Publicou vários romances,
como “Shades of London”, sendo dez para jovens adultos.
Lauren Myracle, autora de diversos livros para jovens e jovens adultos, nasceu nos Estados Unidos a 15 de maio de 1969. Escreveu vários
bestsellers, assim como também ajudou a criar o livro em apreciação.
“Quando a neve cai” narra três histórias diferentes, porém todas elas localizadas na mesma cidade isolada e ligadas por uma das maiores
tempestades de neve dos últimos cinquenta anos. Da autoria de Johnson, o primeiro conto tem o nome de “O Expresso Jubilee”. Já o segundo,
de John Green, intitula-se “Um Milagre de Natal Fantabulástico” e o último conto, de Lauren Myracle, denomina-se “O Santo Patrono dos Porcos”.
Nestes três relatos, os caminhos de oito raparigas e rapazes vão cruzar-se e interligar-se num romance cheio de magia e diversão, bem como de
amor e do poder da amizade.
“Quando a Neve Cai” foi criado por três grandes escritores da atualidade, cuja escrita é deveras cativante e bem estruturada, prendendo a atenção
do leitor desde o momento em que abre o livro até à sua última palavra. É um romance sentimental, sem se demonstrar banal, que nos transporta para
um mundo natalício e fascinante, pela amizade, afeto e união.
Desta incrível colaboração resultou um livro de leitura fluida e agradável, com um enredo bem estruturado e “habitado” por personagens fantásticas,
em que as três histórias, apesar de distintas, apresentam um forte elo de ligação, contando com a participação das personagens principais de uma
história como secundárias de outra e nunca deixando uma ponta solta.
Posso afirmar que este livro é um dos meus prediletos. Este trio conseguiu transmitir, através destas três histórias, a verdadeira importância da
amizade e do amor, bem como demonstrar aos leitores a simplicidade das coisas que se encontram à nossa volta e como estas podem ser as mais
importantes, basta saber dar-lhes valor.
Pelo exposto, recomendo vivamente a leitura de “Quando a neve cai”!
Domingos Freitas do Amaral nasceu a 12 de outubro de 1967, em Lisboa. Formado em Economia pela Universidade Católica Portuguesa, onde é atualmente professor
da disciplina de Economia do Desporto, tem também um mestrado em relações económicas internacionais, pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Durante
muitos anos foi jornalista, primeiro no jornal O Independente, mais tarde dirigiu as revistas Max-men e GQ. Ao logo da sua vida já escreveu dez romances,
todos publicados pela Casa das Letras.
Assim Nasceu Portugal II - A Vitória Do Imperador é uma obra de Domingos Amaral cuja história atravessa o período de formação do nosso país, marcado por
inúmeras guerras para o nosso jovem rei Afonso Henriques.
Em Guimarães, a paixão entre Afonso Henriques e Chamoa Gomes vive nova provação, mas nunca se extinguirá ao longo de mais de uma década onde as guerras
são permanentes em duas frentes.
Na fronteira norte, prossegue a campanha de Fernão Peres de Trava, repleta de estratagemas e combates intensos, liderados pelo próprio rei de Leão e Castela,
Afonso VII, primo direito de Afonso Henriques. A Sul do Condado Portucalense, os templários procuram a sagrada relíquia da Terra Santa. Os muçulmanos lançam
violentos ataques. Leiria e Tomar são destruídas pelo emir de Córdova, o príncipe Ismar. A guerra atingirá o auge na batalha de Ourique, onde Afonso Henriques
é aclamado rei.
A linguagem utilizada é bastante simples e de fácil compreensão, contudo o romance não deixa de nos apresentar uma descrição muito completa da vida na corte
do Condado Portucalense, bem como as suas relações com os reinos vizinhos. Tem um enredo bastante complexo e interessante, que nos deixa presos ao livro do
princípio ao fim. Este romance histórico contém também um pouco de ficção, que está presente na criação de uma relíquia da Terra Santa que todos desejam alcançar.
Desta obra que todos deveriam ler, podemos retirar o quão difícil foi erguer o nosso reino, servindo de apelo ao patriotismo da sociedade portuguesa.
Da minha não muito vasta lista de livros lidos do início até ao fim, decidi escolher dois como os meus preferidos e, assim, dignos de recomendação.
Paper Towns, em português Cidades de Papel, é um romance de John Green que fala da história de dois jovens, Margo e Quentin, e de como este rapaz
encontra o caminho de volta para aquela. Este livro é destinado aos românticos que gostam de uma história perfeitamente equilibrada entre o cliché e o
atípico, aos que gostam de mistério, de aprender maneiras diferentes de olhar para o mundo, e até de finais não muito felizes.
Pouco ou nada semelhante ao acima referido, Harry Potter and the Philosopher`s Stone, em português Harry Potter e a Pedra Filosofal, é o primeiro
da célebre coleção de 7 livros escritos por J.K. Rowling, que conta a história de um feiticeiro de 11 anos, Harry, e as suas aventuras, dramas e sarilhos
ao longo dos seus 6 anos como estudante de Hogwarts. É uma ótima obra para a iniciação à leitura: é divertida e fácil de ler, é capaz de nos transportar
por completo para dentro do seu universo.
Da minha experiência, posso afirmar que ambas as obras têm uma enorme capacidade de aprisionar o leitor, que só cumpre “a pena” quando termina a sua leitura.
Para mim, esta é uma característica essencial num livro, pelo que recomendo vivamente estas duas obras, mesmo que se encontrem fora da zona de conforto do leitor.
Só sabemos verdadeiramente se gostamos quando provamos!

Dos livros que já li, há alguns que apreciei imenso e que, por isso mesmo, fazem parte do meu leque de sugestões. Assim, os livros que recomendo são: O Espião Inglês,
de Daniel Silva, Os Cinco Voltam à Ilha, de Enid Blyton, e Elon Musk: o Génio Que Está a Inventar o Nosso Futuro, de Ashlee Vance.
O Espião Inglês, de Daniel Silva, conta a história do espião e assassino profissional Gabriel Allon, que investiga a morte de Amelia List, um ícone da família real britânica,
mas detestada pelo seu ex-marido e pela rainha de Inglaterra. Eu aconselho vivamente a leitura deste livro porque é um romance cheio de ação e de drama e a envolvência e o ritmo
dele tornam-no cativante do início até ao fim.
Os Cinco Voltam à Ilha, de Enid Blyton, conta a história de cinco amigos: Júlio, David, Ana, Zé e Tim que, numa visita à ilha de Kirrin, descobrem uma arca e iniciam uma caçada
a um grupo de contrabandistas. Recomendo a leitura deste livro porque Enid Blyton é uma autora que marcou muito a literatura juvenil e, mais uma vez, esta obra reflete as
suas qualidades enquanto escritora.
Elon Musk: o Génio Que Está a Inventar o Nosso Futuro, de Ashlee Vance, é uma biografia que conta a vida de Elon Musk, o fundador de empresas como a PayPal, SpaceX e Tesla Motors.
Sugiro a leitura deste livro, uma vez que Elon Musk é uma personalidade influente do nosso século e é um homem que poderá vir a mudar o mundo daqui a alguns anos. Além disso, Elon Musk é,
sem sombra de dúvida, um ídolo inspirador para futuros jovens empreendedores.

Talvez eu não seja a melhor pessoa para sugerir um livro a alguém, visto que eu nunca fui muito de ler, sempre preferi ver o filme. Se tivesse de sugerir algum,
provavelmente seria um livro de que eu já tivesse visto o filme, pois eu acredito que, quando o filme é bom, o livro ainda consegue ser melhor.
Filmes como IT (terror), The fault in our stars (romance) e Fight Club (sátira) foram inspirados em livros e, pessoalmente, penso que são incríveis. Por isso,
estes seriam os livros que eu escolheria.
IT, escrito por Stephen King, é a história de um grupo de amigos (pré-adolescentes) que enfrentam uma entidade com forma de palhaço (não aqueles “bonitinhos” e
engraçados de que muitos gostam, mas sim um assustador) que explora os medos das suas “presas” na hora de “caçar”. Juntos, os jovens ultrapassam os seus receios,
derrotando o vilão, que volta depois de 27 anos. Ao longo do livro são abordados temas interessantes, como o trauma infantil.
The fault in our stars (em português, A culpa é das estrelas), escrito por John Green, conta como Augustus e Hazel se conheceram. Hazel, uma vítima de cancro, é
aconselhada pelo seu médico a frequentar um grupo de apoio. Lá conhece aquele que seria o seu futuro namorado. Este sofria também de um cancro que lhe “tirara” a
perna. Ele ajuda-a a conhecer o seu escritor preferido, que, diga-se, a trata muito mal. A história acaba de uma forma trágica e inesperada.
Fight Club, escrito por Chuck Palahnjuk, conta-nos, através da narração da personagem principal, como o narrador (não é revelado o nome dele) conheceu Tyler.
Devido ao jet lag das suas viagens de negócios, o narrador sofre de insónias e, aconselhado pelo seu médio, começa a participar em clubes de apoio, apesar de não ter
nenhuma das doenças dos frequentadores desses grupos. Um dia, entra uma nova participante, Marla, o que não lhe agradou nada, pois, tal como ele, ela não tinha nenhuma daquelas
doenças. Então, para não se cruzarem, chegam a um acordo: aparecerem nos grupos de apoio em dias diferentes.
Mais tarde, o narrador conhece Tyler, a quem pede para receber em sua casa, pois o apartamento dele havia ardido. Tyler aceita com a condição de o narrador lhe dar um murro com toda a
sua força e, depois de o fazer, começam a lutar. Eles acabam por gostar da luta e iniciam o Fight Club. Ao longo do livro, é mostrado o crescimento desse clube e a maneira como os
elementos obedeciam cegamente a Tyler. O final é inesperado e vai contra a linha de pensamento que se foi criando ao longo do livro.
Recomendo a leitura destes três livros, porque têm um enredo muito cativante. Além disso, penso que, de uma maneira discreta, ensinam algumas lições valiosas.
Eu elegi estes dois livros como os mais importantes da minha vida, até hoje, porque, além de serem sugeridos e oferecidos pela minha mãe, contam histórias de vida marcantes,
vividas em espaços e tempos distintos e que me obrigaram a refletir, muitas vezes, sobre a capacidade que o ser humano tem de, em momentos de grande conflito, se superar, de
arranjar estratégias de sobrevivência com grande dignidade.
O primeiro livro, Mulheres afegãs, é um conjunto de histórias reais, contadas por diferentes mulheres, à jornalista e autora do livro, Zarghuna Kargar. Uma das histórias é
contada na primeira pessoa pela própria autora do livro, também ela vítima das leis, dos costumes, da falta de liberdade e de direitos que afligem estas mulheres, sobretudo nas
zonas rurais do Afeganistão.
Para além dos testemunhos, este livro dá-nos a conhecer igualmente o código de conduta da lei islâmica, bem como as tradições relacionadas com o casamento, a família e a sexualidade,
que condicionam o dia-a-dia de todas estas mulheres muçulmanas.
Estas histórias, que foram transmitidas no programa de rádio da BBC «Afghan Woman’s Hour», coordenado e apresentado pela autora Zarghuna Kargar, permitia aos ouvintes o acesso direto a
uma realidade tão diferente da sociedade inglesa, mas considerada ainda tabu para muitas comunidades islâmicas aí residentes.
O segundo livro, Os Retornados, do jornalista Júlio Magalhães, é um romance histórico, uma vez que a história de amor é vivida na época da descolonização portuguesa em Angola. Este
livro é-me muito caro, uma vez que os meus avós maternos fizeram exatamente o percurso destas personagens. Em 1974, em Angola, a luta pelo poder entre os movimentos independentistas
espalhou a violência e a morte por um país que, na altura, era considerado a joia do império português. Neste ambiente de terror, não havia outra solução senão partir, deixando para
trás emprego, casas, terras, fábricas, amigos…
Este livro emocionou-me bastante porque, em alguns momentos, pude fazer uma viagem ao passado e perceber o sofrimento, a angústia pela qual passaram os meus avós, as minhas tias e a minha
mãe, embora ela fosse ainda muito pequena. Senti um enorme respeito por todos, sobretudo pelos meus avós, porque foram capazes de ultrapassar tantas dificuldades e reconstruir uma nova
vida, a partir do nada.
Também pude perceber a vida dura dos soldados portugueses que tiveram de matar para sobreviver numa luta sem fundamento. Mais uma vez, transportei-me para o passado, pois o meu avô paterno
andou na guerra da Guiné. Os seus relatos eram exatamente os mesmos que li neste livro.
Por outro lado, fiquei fascinado com as belas descrições que o autor faz de África e que vão ao encontro daquilo que os meus avós me contaram…a humidade, o cheiro a terra molhada, as cores…
Duas obra cuja leitura recomendo vivamente!

A trança de Inês, da autoria de Rosa Lobato de Faria, baseia-se no mito de Pedro e Inês (mais na lenda do que na História). O livro narra a história de dois apaixonados que tentam ficar juntos, mas não conseguem,
por obra do Destino. Tão inspirador, que o realizador António Ferreira já o adaptou ao cinema.
A trágica história de Pedro e Inês acontece em momentos diferentes e com diferentes personagens: num passado remoto, num passado recente, no presente e no futuro. Sim, também no futuro! Um amor intemporal, que vence
as limitações do tempo.
Três tempos, três mundos, três destinos, um único amor. Universal e sem tempo nem medida, relembrando-nos que o amor e o ódio andam lado a lado e acontecem em todas as épocas. Pedro é, no presente, um empresário de
sucesso que se perde de amores por Inês. Mas este é um amor condenado à tragédia e à loucura. A sua história confunde-se com a de Pedro Rey, no século XXII, apaixonado também por uma Inês de entrançados cabelos loiros,
num futuro que os afasta por pertencerem a estratos diferentes da sociedade. E ainda com a lenda de D. Pedro que, no século XIV, tenta contra tudo e contra todos fazer valer o seu amor por Inês de Castro.
Pedro do presente tem um sonho místico: ele entra numa sala onde pode escolher o seu Destino, antes de ser enviado para a próxima “viagem”, a qual completará a sua evolução. Só que nesse lugar não existe memória, não
existe a recordação de nada, só a intuição. Numa tela, começam a aparecer palavras, ele apenas pode escolher uma, aquela que definirá o seu Destino. Entre palavras como “fortuna”, “poder”, “altruísmo”, “mar”, “música”,
sem saber por que motivo, escolhe “paixão”!
A vida de Pedro e Inês no futuro é a mais original e surpreendente. A autora criou uma sociedade muito bem estruturada, no ano de 2090, onde as pessoas são preteridas em favor da natureza, que deve ser preservada a todo
custo. Nesta sociedade, o ser humano considerado individualmente não tem valor. Os casais são selecionados pela sua genética (inteligência, altura, beleza, histórico familiar de doenças, educação, etc.) para poderem
procriar e existe um controle de natalidade rigoroso, com o intuito de diminuir a população mundial e manter a sustentabilidade do planeta.
A trança de Inês é um romance sobre a intemporalidade da paixão, onde se abordam também alguns mistérios da existência. Um livro inovador, complexo, “explosivo”, com a qualidade a que a autora nos habituou.
Recomendamos vivamente a sua leitura!
Tiago Rebelo nasceu a 02 de março de 1964, em Lisboa. É jornalista há dezanove anos, tendo iniciado a sua atividade profissional em 1986, na Rádio Renascença. A par da atividade literária, tem já uma longa carreira de jornalista,
sendo atualmente editor executivo na TVI, e escrevendo regularmente para a revista do Correio da Manhã.
Publicado em 2005, És o meu segredo conta a história de duas irmãs, Rute e Filipa, que conheceram Tomás Arruda na adolescência, durante umas inesquecíveis férias de verão. Um dia, ele decide que quer ir estudar para Londres
para se tornar um ator famoso. Passados três anos, Tomás regressa a Portugal com o seu realizador, Ian Holden, para rodar um filme em Sintra. Rute prepara um jantar de boas-vindas para toda a equipa de filmagens. Mas será que esta
foi uma boa ideia?
Posso dizer que fiquei agradavelmente surpreendida com o romance És o Meu Segredo. Tiago Rebelo traz até nós uma história simples, mas emotiva, que nos transporta para um enredo dramático em que as pessoas tendem a fugir aos
sentimentos, a deixar palavras por dizer, até que a tragédia se abate sobre as personagens principais e, finalmente, cada um decide assumir o seu papel.
Gostei bastante do estilo do autor. Tiago Rebelo vai oscilando entre pormenores da vida das personagens e a narração do decorrer dos acontecimentos, o que faz com que o suspense sobre o desenlace prenda o leitor até ao fim.
A construção das personagens é um dos pontos mais fortes deste romance. Rute está extremamente bem pensada e projetada. Tomás e Filipa acabam por espelhar um pouco a geração 'Morangos com Açúcar', mas menos infantis e com um pouco
mais de substância. Ian, o realizador inglês, é, sem dúvida, uma personagem muito cómica e enquadra-se bastante bem na história.
Resumindo, És o meu segredo é um romance aparentemente “leve”, mas que dá que pensar e que chega a provocar-nos um arrepio na espinha em certas circunstâncias. Gostei, por isso recomendo a sua leitura!
Maria Moisés é uma importante obra da literatura portuguesa escrita por Camilo Castelo Branco e publicada no ano de 1876. O autor foi romancista, cronista, dramaturgo, crítico, poeta, historiador e tradutor.
Maria Moisés é a história de um jovem pastor que vê Josefa, a filha do patrão, suicidar-se de modo misterioso. Então revelam-se os motivos: a jovem suicida está apaixonada e tem um caso com um jovem militar. Quando
a jovem engravida, passa a ser escondida pelos pais dentro de casa. O namorado, entretanto, anuncia-lhe que vai fugir e ela dá à luz prematuramente. Ao atravessar o rio com a criança ao colo, esta cai à água. A
mãe atira-se para salvá-la, mas acaba por morrer e o bebé é levado pela corrente.
A segunda parte desta novela começa com uma menina a ser encontrada por um caseiro rio abaixo do local onde Josefa morrera. A criança é batizada de Maria Moisés. Ela cresce e passa a cuidar de crianças desamparadas. No
começo são duas, mas o número logo cresce. Com o tempo, Maria vai empobrecendo por causa da sua caridade.
Quando o pai de Maria regressa à cidade, ele começa a montar as peças do quebra-cabeças da morte da sua amada Josefa, que nunca esqueceu. Vai descobrindo a história de Maria e do seu precário atual estado financeiro. Ele
dirige-se, então, à quinta que Maria hipotecara e paga a Maria mais do que as dívidas, revelando que é seu pai.
Em Maria Moisés estão retratadas todas as classes sociais do primeiro quartel do século XIX. Está lá a violência e a intransigência que todos vitima. Dos mais simples aos mais poderosos. E o mesmo se pode dizer
quanto à bondade inata em tanta gente de tão diverso nascimento.
Espero que este resumo desperte o vosso interesse para a leitura de Maria Moisés. Achei especialmente interessante a parte inicial da novela, onde a jovem se suicida, e também a parte em que esta se atira ao
rio para salvar a filha. Recomendo a leitura tanto da Maria Moisés como das restantes obras de Camilo Castelo Branco!
Escritor, poeta e dramaturgo, Oscar Wilde foi criador do movimento dândi, que defende o culto do belo como uma solução para os episódios
hediondos da época industrial.
A história abordada n` O Retrato de Dorian Gray tem lugar no século XIX, na capital londrina. Aí vivia um rapaz de dezassete anos,
Dorian Gray, filho de Margaret Devereux e neto do Lorde Kelso. Este era um homem sem escrúpulos, que matara o seu genro, desencadeando o
suicídio da mãe de Dorian. O protagonista, possuidor de uma beleza invulgar, um autêntico dândi, conheceu Basil Hallward, um pintor
talentoso que ficou deslumbrado com a formosura de Dorian. Apaixonado, convidou-o a posar para ele, de forma a conservar a beleza do rapaz.
Numa das várias sessões, Lorde Henry Wotton, um burguês cínico e hedonista, amigo de Basil, persuade o jovem para uma visão diferente do mundo,
segundo a qual as únicas coisas que valem a pena são a beleza e o prazer.
Quando o retrato ficou finalizado, Dorian, consciente da sua enorme beleza e horrorizado com a perspetiva de envelhecer, desabafa que faria tudo,
até mesmo vender a sua alma, se fosse o retrato a ficar com as marcas da passagem do tempo e não ele.
Numa ida ao teatro, Gray conhece Sibyl Vane, uma atriz jovem e bela e apaixona-se, chegando a pedi-la em casamento. Enfeitiçado pela atriz, o
jovem convida os seus amigos, Lorde Henry e Basil Hallward, para irem ao teatro, com o intuito de lhes mostrar a deslumbrante atuação da sua noiva.
No entanto, naquela noite Sibyl Vane estava diferente, o que acabou por se refletir na representação, pelo que Wotton e Hallward ficam desiludidos,
tal como o próprio Dorian. Este, influenciado pela teoria filosófica do hedonismo, trata a rapariga desumanamente e termina o noivado, dizendo que
não a queria ver mais.
Já em casa, Dorian repara que algo se alterou na obra de arte - uma expressão sarcástica e repugnante percorria o sorriso do Dorian do retrato.
Imediatamente, para tentar recompor o quadro, o rapaz envia uma carta a Sibyl Vane a pedir imensas desculpas e a dizer que estava disposto a
casar com ela. Porém, Lorde Henry chega com a desagradável nova de que Vane se tinha suicidado, por desgosto de amor, logo após Dorian ter
saído dos bastidores. Desde então, Gray deduz que, antes de ele saber o que acontecera, já o quadro tinha mudado e constata que é o Dorian
do quadro que envelhece e que sofre com a passagem dos anos, ao mesmo tempo que o Dorian real permanece com a juventude e beleza intacta.
Todos deveriam ler O Retrato de Dorian Gray, que é considerado pela crítica como a melhor obra de Oscar Wilde.
Odette Toulemonde - Lições de Felicidade é um romance da autoria do popular escritor e dramaturgo belga Éric-Emmanuel Schmitt. As suas
obras já foram traduzidas e encenadas em mais de 40 países, sendo considerado um dos 10 autores de língua francesa mais lidos. Entre os seus
prémios, contam-se o prestigiado Prémio Goncourt de romance e ainda o Grande Prémio de Teatro da Academia Francesa.
Odette Toulemonde não tem objetivamente nada para ser feliz, mas é. Balthazar Balsan tem tudo para ser feliz, mas não é… Vendedora de artigos
de beleza num grande armazém e apaixonada pelos romances de cordel do fictício Balthasar Balsan, Odette Toulemonde vive numa pequena localidade
industrial do lado da fronteira belga. Sonha agradecer a Balthazar Balsan, o seu autor favorito, a quem - pensa ela - deve o otimismo, decidindo
fazer uma viagem de comboio para que o seu mais recente livro seja assinado por ele. Emocionada, não é sequer capaz de balbuciar-lhe a sua opinião,
pelo que, mais tarde, lhe dedica uma carta de fã muito pessoal, a qual chega mesmo a calhar, já que o destinatário se encontra, subitamente, em
desespero, ao ser desacreditado publicamente pelo mais aguerrido crítico literário da atualidade, com o qual a sua mulher anda a traí-lo. Pessoa
que vê sempre o lado positivo da vida, Odette irá acolhê-lo, entretanto despido de autoestima, e dar-lhe um novo alento. O escritor parisiense,
rico e sedutor, vai irromper na vida de Odette de forma inesperada.
Gostei muito de ler Odette Toulemonde - Lições de Felicidade, pois retrata o encontro cómico e atribulado de duas pessoas aparentemente sem
nada em comum. Recomendo a sua leitura, em especial a quem de romances e a quem está apaixonado.
Em Vermelho da Cor do Sangue (romance editado em 2010 pela ASA), temos mais um policial do estilo dos já criados por Pedro Garcia Rosado:
contemporâneos, urbanos, despretensiosos, realistas, ou seja, que geram uma identificação e um vínculo com o leitor, pois vê refletida nas
páginas a realidade que vê nos jornais e, principalmente, na televisão.
O livro começa com um mercenário ucraniano conhecido como Gengis Khan, que realiza um assalto à casa do bancário Ramiro de Sá. Um segurança é assassinado,
algumas joias são roubadas e também foi levado um passaporte pertencente a Valentim Zadenko, um emissário comunista da União Soviética que foi para Lisboa
a 24 de novembro de 1975 e aí desapareceu.
Enquanto o inspetor Joel Franco, da Polícia Judiciária, investiga o homicídio do vigilante, o passaporte torna-se uma “relíquia” a que muitos querem deitar a
mão: não só o próprio Ramiro de Sá, mas também o chefe da máfia russa, um inspetor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, um veterano do PCUS que foi
camarada de Zadenko e ainda Svetlana, a filha do operacional desaparecido, que vem a Lisboa à sua procura, alertada por um angolano que estudou em Moscovo
e participou no assalto. Na busca do documento, todos os caminhos vão dar a Ulianov, um ex-KGB que foi especialmente treinado, que em Portugal se tornou
dirigente de um grupo criminoso e Joel irá contar com a sua ajuda para “desenterrar” uma conspiração criminosa que nasceu no PREC.
No final, Ulianov é capturado e obrigado a suicidar-se, caso contrário o mercenário Gengis Khan iria matar a sua mulher e a sua filha, mas Ulianov acaba
por matar Gengis e entrega todas as informações do caso a Joel Franco.
Em Vermelho da Cor do Sangue, podemos deleitar-nos com um belo policial, cheio de ritmo, ao nível do que se faz “lá fora” dentro do género. Uma leitura a não perder!
Publicado pela primeira vez em 1937, o romance Capitães da Areia, da autoria de Jorge Amado, relata a realidade
vivida por um numeroso grupo de órfãos que viviam nas ruas da Bahia.
Liderados pelo filho de um grevista morto a tiro numa revolução, os Capitães da Areia eram perto de cem rapazes, entre os
8 e os 16 anos, que sobreviviam a praticar pequenos furtos ou assaltos a casas ricas, por conta própria ou encomendados
por terceiros.
Com o toque realista e a deliciosa escrita de um dos escritores mais traduzidos do Brasil, o leitor segue as histórias de
vida não só de parte dos capitães, mas também das pessoas que vivem à volta deles.
Passando por peripécias, paixões e dificuldades típicas da vida nas ruas, o livro acompanha uma fase decisiva da vida das
personagens, pois se no início Jorge Amado falava de “meninos”, nas últimas páginas, ao retratar a partida deles por
caminhos diferentes, já os vemos a entrar na fase adulta.
Capitães da Areia é um livro real, de leitura emocionante e compulsiva, que nos transporta diretamente para as ruas da Bahia,
para a areia branca, as docas, os grevistas e para uma realidade completamente diferente da nossa.
Recomendo vivamente a sua leitura!
A ação de O Nome da Rosa de Umberto Eco tem lugar na Época Medieval, numa sociedade hierarquizada, sendo o clero retratado de forma singular e única.
Numa abadia italiana, um estranho e sanguinário crime ocorre – a morte do frade Adelmo. Guilherme Baskerville e o noviço Adso de Melk (narrador) são incumbidos
pelo abade de desvendar o autor desse delito. Todos os frades acreditavam que essa morte estava relacionada com algo sobrenatural, até à chegada de Baskerville.
Com a sua perspicácia e astúcia, Guilherme e Adso concluem que Adelmo se suicidou. Porém, quando todos pensavam que o caso estava resolvido, mais mortes se sucedem,
aparecendo vítimas com os dedos e a língua negros.
Após uma intensa investigação, Guilherme e Adso descobrem que os crimes ocorridos estavam ligados a um livro considerado espiritualmente perigoso por incentivar um
pecado – o riso. Berengário, o assistente do bibliotecário Malaquias, como tinha acesso aos livros de leitura proibida (Index), ofereceu o misterioso livro a Adelmo,
em troca de favores sexuais. Este, arrependido dos seus atos, entregou o livro a outro monge, a Venâncio (o segundo morto). Uma das técnicas utlizadas na Idade Média
para descobrir quem lia obras proibidas era colocar veneno nas páginas do livro. Ora, como a curiosidade de Venâncio, e também a de Berengário, foi maior que o cumprimento
das leis, os monges leram o livro, morrendo com o veneno.
Para comprovação desta hipótese, Guilherme informou o abade, pedindo autorização para entrarem na biblioteca. Infelizmente, o abade não autorizou e, com a chegada do
inquisidor Bernardo, não só cancelou as investigações de Baskerville e Adso, como também permitiu que três inocentes fossem condenados: um monge; um celeireiro que,
sob pressão, confessou os crimes; e, por fim, uma rapariga, cujo nome não foi revelado. Entretanto, Malaquias morreu nas mesmas condições que as outras vítimas.
Baskerville não aceita a condenação dos inocentes e protesta contra Bernardo, que ficou revoltado, acusando Guilherme de ser o autor dos crimes. Instalado um clima
de terror, inicia-se a corrida até ao livro proibido…
O que me motivou a ler O Nome da Rosa foi o facto de a obra se contextualizar na Idade Média, época de erudição e de intrigas, e o autor narrar as mesmas sob a forma
de romance policial.
Destaca-se ainda o predomínio da adjetivação nas descrições minuciosas, o que permite recriar os acontecimentos de forma realista, já que se transmite ao leitor a
impressão de se encontrar no local dos acontecimentos. É de registar, de igual modo, o coloquialismo presente nos diálogos entre os diversos frades, que confere
autenticidade, vivacidade e realismo à narrativa, sendo o leitor induzido a efetuar reflexões introspetivas sobre os vários assuntos (a pobreza de Jesus, o riso,
entre outros).
Gostei particularmente da forma como Umberto Eco retratou certos detalhes na caracterização da minha personagem favorita, Guilherme Baskerville, um grande exemplo de
astúcia e perspicácia a desvendar o mistério que girava à volta do assassino.
Por fim, o Nome da Rosa é uma narrativa cheia de mistério e exotismo, em que o trágico surge mascarado em forma de espetáculo… em suma, um livro que todos deveriam ler!
Uma menina está perdida no seu século à procura do pai, de Gonçalo M. Tavares, conta-nos a história de Marius, que, ao andar pela rua,
não consegue ficar indiferente ao rosto de Hanna. Esta rapariga de catorze anos anda à procura do seu pai. Ela fala com dificuldades, entende mal o que
lhe acontece, não percebe o raciocínio dos outros. Está perdida.
Marius está com pressa, mas muda o seu percurso, acompanha-a.
Hanna, que é portadora de uma doença congénita, traz consigo uma caixa com várias fichas divididas por áreas (alimentação, saúde e segurança, linguagem, etc.),
fichas essas que procuram orientar e determinar o seu comportamento pessoal e social.
Ao longo da viagem, os dois protagonistas encontram várias personagens, como um fotógrafo que coleciona fotos de animais e pessoas com deficiências; uma família que
cola cartazes em todo o lado; dois proprietários de um hotel que deram nomes de campos de concentração aos quartos; ou um antiquário que adora inventar histórias…
Na companhia de Marius, Hanna vai parar a um estranho hotel em Berlim: os quartos não têm números, mas ostentam os nomes dos campos de concentração que, pouco tempo antes,
foram o palco do inferno para milhões de pessoas. Quando Marius pergunta a razão de ser de tal escolha, a dona do hotel responde: “Porque podemos. Somos judeus”.
Uma menina está perdida no seu século à procura do pai é um livro inteligente que nos desperta para a diferença. Não somos só diferentes por deficiência
mental como a de Hanna, somos diferentes porque únicos, mas temos de ter a capacidade de ouvir os outros, de dar a mão, como Marius faz. Talvez a “mensagem” implícita no
livro seja: nunca parar, seguir, não desistir, persistir, mesmo que a vida não o queira.
A escrita de Gonçalo M. Tavares é simples e sem rodeios, ao contrário de alguns romances que li no passado. A criatividade do autor, essa, é inegável.
Em suma, apreciei bastante este romance de Gonçalo M. Tavares, pelo que aconselho vivamente a sua leitura!
“Nada é verdade, tudo é permitido.”
A história de Assassin’s Creed: Revelações, de Oliver Bowden, é o seguimento de uma saga e remete-nos inicialmente para Masyaf, Síria, no século XVI.
Aí, deparamo-nos com Ezio à procura da biblioteca perdida construída por baixo do grande castelo pelo grande mentor da sua ordem, Altair Ibn-La’Ahad.
Ezio Auditori da Firenze é membro de uma ordem chamada “Assassinos”, que lutam, desde o início dos tempos, contra os templários. Desde muito novo treinado
na arte do combate, este ganhou um grande interesse em juntar-se à causa, devido aos seus sentimentos de vingança depois de ter visto o seu pai e seus
irmãos mortos em praça pública. Mais tarde, três séculos após Altair, viria a tornar-se o segundo grande mentor da Ordem.
Ezio precisa de encontrar a biblioteca antes dos Templários e garantir que nenhum deles poderá lá entrar, pois essa biblioteca, na realidade, é um cofre
que guarda o tesouro mais valioso do mundo: um objeto esférico com a capacidade de subjugar qualquer homem. Com essa “arma”, os Templários tomariam posse
do mundo. Ao chegar lá, Ezio repara que são necessárias cinco chaves para abrir a porta da biblioteca, chaves essas que Altair escondera estrategicamente
para que só o verdadeiro “profeta” a conseguisse abrir, visto que, caindo nas mãos erradas, o tesouro traria graves consequências.
Após várias peripécias e grandes sacrifícios, Ezio, com a ajuda de Sofia, uma bibliotecária pela qual ele se apaixona, localiza e recupera as cinco chaves.
Tem, no entanto, de regressar a Masyaf e tomar a decisão mais difícil da sua vida. Ao abrir a biblioteca, Ezio depara com os restos mortais de Altair, junto
dos quais agradece por todas as suas conquistas na luta contra os Templários, assim como por ter sido capaz de restaurar a ordem dentro da irmandade. No final,
ao ver o artefacto capaz de subjugar o mundo, Ezio hesita por meio segundo, mas sabe que nenhum homem deveria ter tamanho poder nas suas mãos. Assim, desfaz-se
do seu equipamento e das suas armas, e encerra para sempre a biblioteca, sendo este o seu último ato enquanto assassino. Após esta aventura, vive uma vida
sossegada, no campo, onde treina uma assassina chinesa. Viria a morrer em paz, longe de todas as lutas e esquemas com que conviveu toda a sua vida.
Na minha opinião, este livro está muito bem estruturado e apresenta uma escrita pouco vulgar, mas, ao mesmo tempo, não muito elaborada. Consegue ser bastante
interessante, porque, por um lado, nos vemos envoltos em cenas de ação, conspirações, por outro, romance e reflexões pessoais. Um aspeto muito positivo da obra
é o facto de a personagem principal ser forte e carismática, o que cativa facilmente o leitor, acabando, muitas vezes, a refletir sobre as palavras de Ezio,
uma vez que se aplicam ao nosso tempo. No geral, esta obra surpreendeu-me de uma forma muito positiva, apesar do preconceito que tinha sobre obras baseadas em
jogos de vídeo. Em meu entender, tem uma história muito rica, que flui naturalmente, não deixando pontas soltas. Recomendo a sua leitura!
Diário de uma Nanny é o título de um livro escrito por Emma McLaughlin e Nicola Kraus, duas autoras que decidem partilhar as suas experiências enquanto
baby-sitters para mais de trinta famílias nova-iorquinas. Foi editado em abril de 2004.
O livro relata a vida de uma universitária, Nanny, em Manhattan. Enquanto passeia pelo parque, um pequeno rapaz, Grayer, acerta-lhe com uma bola, o que faz com
que conheça a Família X. A mãe de Grayer, Mrs. X como será sempre chamada no romance, oferece-lhe o trabalho de baby-sitter depois de reparar na atitude que esta
tivera em relação à criança e assim começa a nova vida de Nanny, com um ambiente completamente diferente daquele onde cresceu.
Com o decorrer da história, Nanny depara-se com várias situações, onde se realça a diferença entre a relação de um casal rico com o seu filho e a relação da ama
com o mesmo. Muitas peripécias testam a capacidade de resistência e adaptação da Nanny, mas, com a ajuda e conselhos da família e amigos, consegue ultrapassá-las.
O que mais valorizo neste romance é exatamente a superação de obstáculos, a adaptação da protagonista a ambientes adversos e mesmos hostis. Penso que será esta a
grande mensagem do livro: nem sempre as classes socialmente mais elevadas servem como exemplo de relações estáveis e duradouras, nem sempre os seus elementos se
revelam tão fortes como aqueles que tiveram de ultrapassar momentos muito difíceis nas suas vidas. A Nanny provou que uma simples universitária com problemas
económicos pode ser emocionalmente mais rica, mais forte e mais capaz de seguir em frente.
Recomendo a sua leitura!
Só no escuro podes ver as estrelas, de Cristina Boavida, é um romance de ficção científica.
Sofia, a protagonista, vai passar umas semanas em casa dos pais de Pedro, no Alentejo. As férias estavam a ser tão monótonas que o seu maior desejo era que aqueles dias passassem rapidamente.
Até que tudo muda, quando, numa noite em que estava pensativa, caminhou lá fora e viu no céu algo muito brilhante. De início pensou que era uma estrela cadente, mas estava enganada… Ainda
nessa noite, encontrou um homem desmaiado atrás de uns arbustos e levou-o para dentro de casa com ajuda dos familiares de Pedro. Graças a Sofia, esse homem misterioso ficou deitado no
quarto de hóspedes durante vários dias, até acordar.
Então algo surreal aconteceu: toda a gente adormeceu repentinamente. A protagonista conseguiu acordar algum tempo depois, sem suspeitar que a partir daquele momento a sua vida nunca mais seria a
mesma. Keef, o homem que encontrou caído atrás dos arbustos, levou-a consigo, roubando, para isso, o carro de Pedro. Sofia estava muito nervosa, não sabia bem em que aventura se tinha metido e
só aos poucos foi percebendo que estava a fugir com um… extraterrestre.
Este é um romance que une de forma inteligente dois mundos, mostrando que, afinal, o diferente poderá ser tal e qual como o trivial, bastando apenas espaço e tempo para que a aprendizagem exista.
Por momentos, ao longo desta leitura, dei por mim a fazer a uma comparação entre a história que é contada e o problema social que é o racismo, que acontece tanto por aí, por muito que negue.
Com uma escrita simples e perspicaz, esta obra lançada pela Guerra e Paz consegue ser uma boa companhia nos momentos em que se quer pegar num livro, mas não ter algo maçudo entre mãos. Cristina
Boavida, ao longo de Só no Escuro Podes Ver as Estrelas, mostra realidades muito distintas e consegue colocar o que, sem certezas da minha parte, é irreal, lado a lado com o que poderá estar ao
virar da esquina, sem ter de criar grandes mundos que deixam, por vezes, muito a desejar.
Será que o verdadeiro amor, quando é sentido, e independentemente das diferenças, consegue persistir e enfrentar todas as contrariedades que lhe vão sendo impostas? Uma leitura para quem
acredita verdadeiramente no amor, seja ele vivido de que forma for!
Não digas a Ninguém, de Luísa Castel-Branco, é um livro que fala sobre afetos, sobre o valor da amizade e o poder do amor e do perdão,
através de diversas situações complicadas com que se deparam três amigos de infância que seguiram caminhos diferentes: Beatriz, Rita e Samuel.
A história desenrola-se no Monte dos Suspiros, num pacato hotel, no qual os três amigos, com os seus respetivos companheiros e filhos, decidem passar
juntos um fim-de-semana. Nesses dias, tudo vai acontecer! Do nada, toda a vida se transforma, e só a amizade e o amor são a solução para ultrapassar os problemas.
Beatriz é a organizadora do fim-de-semana. É a mulher de João, tem um casamento aparentemente feliz e é mãe de três filhos: Bia, Pedro e Diogo. São considerados pelos amigos um casal exemplar.
Já Rita é uma personagem fora do comum, sempre pronta a dar nas vistas com o seu tipo de linguagem e a sua frontalidade. É separada, mas está junta com o namorado Manuel, e tem uma filha problemática, a Matilde.
Samuel é casado com Maria da Graça. Com dois filhos adolescentes, Gracinha e Bernardo, e muito devotos, transmitem a imagem da família tradicional.
O aparecimento de Benedita, uma mulher misteriosa que encarna quase a figura do diabo, vai transformar o que deveria ser um fim-de-semana sereno num autêntico inferno,
onde cada uma das personagens é confrontada com os seus medos e desejos proibidos.
Em Não digas a Ninguém, Luísa Castel-Branco regressa ao romance e surpreende os leitores com esta fábula moderna. Toda a história é uma crítica à sociedade portuguesa, às “amizades” interesseiras,
à mentalidade conservadora de muitos cidadãos, supostamente exemplares, à visão da vida que muitos jovens chamados problemáticos têm, à conspiração que ainda muito boa gente faz para triunfar.
Não vou adiantar mais informação sobre a história, mas há uma espécie de comparação que não posso deixar de fazer. A quantidade de personagens, as relações entre elas, o ritmo alucinante de
acontecimentos assombrados por uma estranha tempestade… tudo me trouxe à ideia o Sonho de Uma Noite de Verão, de Shakespeare. Simplesmente fantástico!!
O Fogo e as Cinzas, publicado por Manuel da Fonseca em 1951, é um dos mais significativos livros de contos da moderna literatura portuguesa.
Os contos são acerca de um Alentejo dos anos 40 e 50, rústico e em decomposição. Eles falam-nos das gentes de uma terra maravilhosa mas pobre:
esse Alentejo de há muitas décadas, que assistia aos primeiros passos de um progresso lento.
Do princípio ao fim, o conto que dá nome ao livro movimenta-se continuamente entre o presente e o passado, numa dança inquieta e angustiante,
em que o seu personagem principal, o Sr. Portela, se debate entre um amor não vivido e uma honra que não foi suficiente para evitar uma velhice
solitária.
O texto é uma narração, intercalada por pequenos diálogos em discurso direto, todo ele em linguagem familiar, em que são relatadas emoções,
sentimentos, angústias e mágoas com a força que lhes é conferida pelos expressivos vocábulos de que o autor se serve.
O conto O Fogo e as Cinzas representa uma realidade repartida por várias décadas, cuja ação se desenrola numa vila pacata, a partir do imaginário
da personagem, saudosa, atormentada por recordações que lhe ferem a alma, pouco assertiva em relação a um passado distante, e ufana dos feitos
dos seus próximos, que se serve de antíteses para lhes dar maior relevo:
“Eu odiava e adorava o fogo, tal como o Mestre Poupa".
“- Só queria que vocês assistissem ao incêndio da Rua da Madalena, lá em Lisboa. Isso é que foi um fogo bom! – Recordava ele, animado e feliz.
"– Morreram dezenas de pessoas.”
O Sr. Portela debate-se entre a realidade e as recordações. Ora apressa-se para não se atrasar para o cafezinho do costume com os seus dois
amigos, ora é sacudido pela dura realidade de que da “trindade falhada” já só resta ele, “velho e casmurro”. Perseguido pela tormentosa
recordação da sua noiva, Antoninha das Dores, no meio da rua, deitada nos braços do grandalhão Chico Biló, em fralda de camisa, de coxas,
ventre e seio ao léu, após ter sido salva de um incêndio, consome o tempo de que dispõe, distribuindo por ele, sucessivamente e com parcimónia,
o pouco que lhe sobra para fazer. Adoça o café com pitadas de açúcar, colher a colher; pachorrentamente prepara um cigarro, a ver se consegue
trocar as voltas ao tempo e passar-lhe à frente.
No texto são mais frequentes as evocações do passado do que os relatos do presente. São evocações tão nítidas que permitem ao leitor sentir a
vila morna, pacífica, pouco povoada, ser acordada, primeiro, com as travessuras dos três pequenos estroinas, estudantes temidos, a quem os
castigos não impediram de partir as carteiras da escola, o quadro grande, e rasgarem-se uns aos outros, ao que os pais concluíram que de cultura
o que tinham já lhes chegava; depois, enquanto jovens, “O largo, e mais tarde os bailes desordeiros do campo e a noite sem lei das ruas da vila”
passaram a ser o seu mundo.
Gostei do livro O Fogo e as Cinzas, de Manuel da Fonseca, pois, ao retratar o Alentejo de meados do século passado e suas gentes, o autor
dá-nos a conhecer as nossas tradições. Recomendo esta leitura!
Ao longo deste período letivo, dediquei-me à leitura do livro Uma escolha por amor, da autoria de Nicholas Sparks. A sua primeira edição
portuguesa é de janeiro de 2013 e foi reimpressa em maio de 2016 pelas Edições Asa. A versão original tem como título The choice e foi
publicada em 2007.
Este livro narra a história da mudança de vida de Gabby. A certa altura da sua vida, Gabby tem a necessidade de mudar de cidade e,
consequentemente, de casa. O seu vizinho, Travis não é exatamente uma simpatia e a relação de ambos, que já não era boa, piorou quando
os seus cães resolvem ter uma ninhada de pequenos cachorros. Gabby fica furiosa e culpa Travis pelo sucedido numa grande discussão.
O convívio entre os dois ameniza-se quando o namorado de Gabby se ausenta em trabalho por alguns dias e Travis resolve convidar a sua
vizinha para uma viagem de barco com alguns amigos. Apesar de mostrar algumas reservas, ela acaba por aceitar e é durante essa viagem
que tudo muda, os dois aproximam-se e as atividades em conjunto começam a ser mais frequentes.
O tempo passa e, certo dia, Travis assiste a um jantar de família no qual Gabby se encontra com o namorado e não consegue controlar os
ciúmes que sente. Resolve, então, cumprimentar as pessoas presentes e sair do restaurante. Gabby sai atrás dele e questiona-o acerca da
sua atitude e é nesta altura que Travis admite o sentimento que tem por Gabby. Esta sente um turbilhão de emoções diferentes e
contraditórias e não sabe o que dizer.
Passados alguns dias, o namorado de Gabby pede-a em casamento e ela aceita, no entanto, passado algum tempo, acabam por se separar porque
Gabby constata que sente por Travis o mesmo que ele sente por si.
Inicia-se então a relação entre os dois, mas, certo dia, Gabby sofre um acidente de viação no qual o seu carro é colhido por um camião e
ela fica em coma.
Decorrido algum tempo, surge a inevitável escolha de manter a vida de Gabby suportada pelas máquinas ou desligá-las, como era a sua vontade.
Perante esta escolha, Travis pensou em tudo, em si próprio, nos seus filhos, em tudo o que poderia ter-lhe dito e não disse… Mas no final de
tanto pensamento, ele decide não permitir que as máquinas sejam desligadas e a verdade é que, passado algum tempo, Gabby acaba por recuperar
e juntar-se à sua família, feliz, e recupera o tempo perdido.
Na minha opinião, o autor tem uma escrita encantadora e fascinante, de fácil compreensão e que nos leva a querer terminar a leitura do livro
o quanto antes. Mesmo envolvendo acontecimentos trágicos e escolhas difíceis, o autor consegue atenuá-los e apresentá-los para que seja
possível retirar deles uma lição de vida, neste caso a importância de nunca desistir, mesmo quando o desfecho nos parece ser o pior possível.
Este foi um livro que eu gostei de ler e que recomendo que seja lido por todos, por se tratar de uma história atribulada, mas que envolve uma
bela história de amor, amizade e esperança.
O livro “A rapariga no comboio”, de Paula Hawkins, foi recentemente adaptado ao cinema. De título original “The girl on the train”, traduzido por José João Letria,
da editora 20/20editora, vai já na 21ª edição, tendo sido publicada em junho de 2015. Paula Hawkins foi jornalista na área financeira durante quinze anos, antes de
se dedicar inteiramente à escrita de ficção. “A Rapariga no Comboio “é a sua primeira obra, que imediatamente se tornou um verdadeiro fenómeno mundial, com mais de
15 milhões de livros vendidos em todo o mundo.
Este livro fala de uma rapariga que todos os dias andava no mesmo comboio e via sempre o mesmo casal, sempre na mesma casa, que lhe fazia lembrar uma vida que ela
tinha perdido havia pouco tempo. Até que um dia, Rachel (a rapariga do comboio) observa uma imagem rápida, mas suficiente para ela ficar transtornada, contar à
polícia e, posteriormente, devido a outros acontecimentos, ao homem que, mesmo fazendo parte do casal, não se encontrava na imagem que ela tinha observado. Vão
acontecendo vários casos inesperados ao longo da história, mas tudo anda à volta desta rapariga, da sua vida perdida, deste casal e da sua suposta vida perfeita,
que, afinal, não era assim tão perfeita.
Neste thriller, é a maneira como Paula Hawkins consegue ir dando pistas, mas sem revelar o que todos os leitores querem, que torna a sua narrativa tão especial e
empolgante para quem a lê. Eu acho que a autora usa um vocabulário não muito elaborado, fácil, mas atrativo.
Adoro cada uma das personagens, nenhuma delas é normal, e cada uma tem as suas características estranhas e a sua maneira de pensar diferente, o que para nós, leitores,
é fácil de perceber, porque a história é narrada por três personagens diferentes. Enquanto lia o livro, senti várias vezes “medo” das personagens e da maneira com elas
agiam e persuadiam quem as rodeava.
É um livro com muito suspense, que se mantém interessante do início ao fim, sem conter um único momento de menor motivação para a leitura, ao contrário do que acontece
em muitas narrativas. Um enredo macabro e de assustador, com o fim inesperado e surpreendente!
Livro de Emma Donoghue, da Porto Editora, do género romance.
Quando eu penso em romance, a primeira coisa que me vem à cabeça é uma história
de amor entre duas pessoas, algo que não é bem o que se passa neste livro. Na
verdade, a obra fala sobre a “batalha” que uma mãe e um filho ultrapassam,
tudo visto através dos olhos de uma criança.
Joy, mãe de Jack, é raptada aos 19 anos e obrigada a viver num pequeno quarto.
Aí, acabará por o ter, como fruto de relações sexuais forçadas entre ela e o seu
raptor. Mais tarde, pouco depois do quinto aniversário de Jack, ele e sua mãe
planeiam a sua fuga, que acaba por ter sucesso. A partir daqui, a escritora
conta-nos a vida de ambos no mundo e como se adaptaram a ele, especialmente a
criança.
Como já disse, nós lemos a história a partir dos olhos de Jack e, por isso, há
muita coisa que, à primeira vista, parece mais inocente do que verdadeiramente é,
algo que achei muito interessante e bem pensado, pois o assunto que o livro retrata
é um pouco sombrio.
Se há algo que eu gostaria de mudar na história é a maneira como muitas personagens
envolvidas na ação parecem não perceber o porquê de Joy ter feito as coisas que fez,
mesmo que ela tenha estado seis ou sete anos dentro de um minúsculo quarto.
O livro é uma tradução, pois a autora original é irlandesa, mas a maneira como a
história está contada mostra-me que Emma Donoghue é uma ótima escritora.
Em conclusão, sei que há uma versão deste livro em filme e eu também o vi, mas a
leitura passa-nos as emoções tão bem que parece que fazemos parte da história,
que somos Jack, e nós é que temos que ajudar a nossa mãe a fugir do Quarto e ir
para o Espaço Lá Fora. Por tudo isso, claro que recomendo O Quarto de Jack!
O livro A Cidade dos Deuses Selvagens, da escritora chilena Isabel Allende, foi escrito em 2002. Trata-se do primeiro de uma trilogia: Memórias da águia e do jaguar – O Reino do Dragão de Ouro e O Bosque dos Pigmeus.
Alex Cold, a personagem principal, é um rapaz de quinze anos que teve de ir viver por uns tempos com a sua avó paterna, Kate Cold, enquanto a sua mãe se estava a tratar de um problema de saúde grave no hospital.
Alex teve que ir sozinho, de avião, para Nova Iorque, ter com a avó, com quem não tinha uma relação muito boa, porque lhe parecia muito exigente e sem sentimentos (com o tempo isto vai mudar).
A avó Kate, que é jornalista, leva Alex numa expedição da International Geographic ao coração da Amazónia para procurar a Besta, um animal que todos temem, mas que apenas é conhecido pelo Povo da Neblina.
A expedição é realizada por várias pessoas: a avó de Alex, Kate Cold, jornalista da International Geographic, um antropólogo (Ludovic Leblanc), que só quer reconhecimento pessoal, uma médica (Omayra Torres), que diz querer vacinar os índios e aprender mais sobre a medicina natural usada por eles (mais tarde vimos a descobrir que os objetivos dela não eram esses), um fotógrafo Inglês, ajudantes e guardas.
Nessa viagem, Alex vai fazer uma grande amizade com Nádia (filha do guia da expedição, César Santos), que comunica com os animais e tem um macaquinho de estimação que anda sempre com ela, e descobrir o mundo da selva Amazónica.
Esta viagem vai ter um grande impacto na vida de Alex, pois vai fazer com que cresça e descubra o seu guia espiritual (na história, Alex é guiado por um Jaguar e Nádia por uma Águia).
Gostei muito de ler este livro, porque fiquei a saber muitas coisas sobre a Amazónia (sobre os golfinhos cor-de-rosa do rio Amazonas, fauna e flora da Amazónia, perigos que existem, pois há muita gente que quer destruir a floresta tropical por interesses económicos) e sobre a vida das tribos indígenas (algumas ainda existem e não têm qualquer contacto com a civilização, são muito puras de sentimentos e só matam para comer e para se defenderem).
Aconselho a leitura deste livro, porque é uma história emocionante e cheia de aventuras e perigos. Fiquei com vontade de visitar a Amazónia e de ler mais livros da Isabel Allende!
Ao longo deste período, dediquei-me à leitura do livro Viver depois de ti, da autoria de Jojo Moyes. A sua primeira edição é de maio de 2013 e foi reimpressa em junho 2016 pela Porto Editora. A versão original tem como título Me before you.
Este livro narra a história de duas pessoas com vidas sociais e emocionais totalmente diferentes. Louisa é uma jovem recatada e humilde, Will é um jovem de uma classe social elevada que vive a vida como se não houvesse o dia seguinte. Até que um dia Will sofre um violento acidente que o deixa tetraplégico. Louisa fica desempregada e, por casualidade do destino, consegue emprego em casa da família de Will.
Will tinha mau feitio e mau temperamento e adorava dar ordens, mas Louisa recusa tratá-lo com pena e diferença.
Não demorou muito até que o bem-estar de cada um fosse o mais importante para o outro, ou seja, Will queria a felicidade de Lou e ela, por sua vez, queria o melhor para ele. Rapidamente se tornam próximos e Lou tenta dar um novo rumo aos planos que Will tem para a sua vida.
Na minha opinião, a autora tem uma escrita agradável e cativante, de fácil compreensão e que nos leva a querer ler sempre um pouco mais para descobrir que acontecimento virá a seguir. Mesmo tratando-se de acontecimentos trágicos, a autora consegue suavizá-los e expô-los para que seja possível retirar deles uma lição de vida, neste caso, a importância da liberdade de escolha e do respeito pelas decisões de cada um.
Este foi um livro que eu gostei de ler e que recomendo que seja lido por todos por se tratar de uma história trágica, mas que envolve uma bela história de amor, amizade e ajuda.
O livro que eu li e de que vou falar intitula-se O espião que saiu do frio. Escrito por John Le Carré, foi traduzido para português por Luís Serrão.
O espião que saiu do frio conta a história de um agente britânico, de nome Alec Leamas, e a monstruosa realidade por detrás das tensões da Guerra Fria, sendo considerado o melhor romance de espionagem de todos os tempos.
A ação decorre em Inglaterra e em vários países da Europa de leste, nos finais da década de cinquenta e princípios da década de sessenta do século XX.
As personagens principais do livro são: Leamas (protagonista), Liz (amante de Leamas), Control (diretor a agência de espionagem de Leamas), Mund (agente da contra-espionagem da Alemanha de leste).
Tenho a apontar o interessante facto de o autor, durante o desenrolar da história, não revelar as intenções secretas de Leamas, o que nos coloca a nós, leitores, na posição das restantes personagens, “obrigando-nos” a ler o livro até ao fim, pois é aí que as “ peças do puzzle se encaixam”.
Tenho também de dizer que achei o livro muito interessante, pois dá a conhecer aos leitores um lado mais negro das tensões entre nações e os diferentes regimes políticos que vigoravam na Europa durante a chamada Guerra Fria. O autor é muito descritivo em cada cena da livro, o que nos dá uma “imagem mental” de cada lugar por onde o Leamas passa que facilita muito a leitura.
Apesar do final trágico, gostei muito deste romance, por isso espero ter oportunidade de ler mais livros do autor John Le Carré.
Puros é um livro escrito por Julianna Baggott, uma autora bestseller norte-americana que tem sido agraciada com diversas distinções literárias. A editora do livro é a Editorial Presença. Este romance pertence a uma trilogia, sendo o primeiro dos três livros.
Toda a história se passa num cenário pós-apocalíptico absolutamente destruído e coberto de cinzas. Depois de uma série de detonações atómicas destinadas a exterminar grande parte da Humanidade, apenas uma parte da população, os Puros, ficou protegida dessas detonações dentro da Cúpula. Mas não foi aquilo que aconteceu… Muitos foram aqueles que sobreviveram às explosões, apesar das terríveis deformações (mutações). Todos eles viviam refugiados entre as ruínas da cidade e num clima de opressão por parte de uma organização que os explora e apavora.
Pressia Belze, uma rapariga prestes a completar os seus dezasseis anos, pouco se recorda das explosões e da sua vida antes delas, ou, como lhe chama, o Antes. Ela também é uma mutante, que tenta fugir à tal organização, pois os jovens com dezasseis anos são levados para serem treinados como soldados ou até serem mortos. No entanto, existe um Puro, Partridge Willux, um puro privilegiado que não se sente assim tão importante, que suspeita da Cúpula, pois um plano secreto e maquiavélico está prestes a ser posto em prática. Nesta terra completamente destruída, os caminhos acabam por se cruzar, dois jovens de coração puro que procuram um futuro menos obscuro, mas algo irá mudar na vida deles… Nenhum dos dois desconfia do grande laço secreto que os une.
Este romance é uma caixinha de surpresas e, por isso, é muito cativante, principalmente por poder ver e conseguir sentir o que cada personagem sente.
Com a leitura deste livro, eu pude perceber como é importante acreditar nos nossos instintos, seguir o que o nosso coração diz e que o poder da amizade, por vezes, pode ser tudo.
Charlie e a Fábrica de Chocolate foi escrito por Roald Dahl e ilustrado por Quentin Blake.
Este livro retrata a vida de um rapazinho pobre, cujo nome é Charlie Pipa. Todos os anos, no seu aniversário, Charlie recebe um chocolate. Mas naquele ano tudo foi diferente do habitual. Willy Wonka, o dono da mais famosa fábrica de chocolate, abriu as portas da sua fábrica para as cinco crianças que tivessem o “bilhete dourado”. Esse bilhete dourado só se encontrava dentro das barras de chocolate, ou seja, conseguir uma visita iria ser um golpe de sorte.
Os cinco “sortudos” foram: Augusto Lamacento, um menino comilão, Verruga Salgado, uma menina muito mimada pelos pais, Violeta Bemparecida, uma menina que masca pastilha elástica o dia inteiro, Mike Tevê, um menino que só vê televisão e, nada mais, nada menos, que Charlie Pipa, o nosso Herói.
Quatro das cinco crianças iam somente pelo prémio, que era: quem ganhasse ficaria com a fábrica para si. E apenas uma pessoa verdadeira e honesta foi lá pelo seu amor ao chocolate, Charlie Pipa!
Não vou continuar a contar a história, porque eu não sou “spoiler” e também porque quero criar alguma curiosidade nos possíveis leitores. No entanto, posso adiantar que eu adorei este romance. O livro é fácil de ler e um lado positivo é que tem imagens. Não mudaria nada neste livro!
O Diabo, conto de cunho autobiográfico escrito por Lev Tolstói em 1898, só viria a ser publicado em 1916, já depois da morte do autor, visto que este o escondera por o considerar escandaloso.
A obra trata de questões bastante relevantes: o papel do casamento, do sexo e das relações amorosas, bem como a responsabilidade moral de cada indivíduo.
Depois da morte do seu pai, Evguêni descobre que a sua família está quase na falência, por isso demite-se do emprego, muda-se para a quinta da família e começa a tratar dela. Aí, encontra uma moça da aldeia, Stepanida, conhecida como “a mulher do soldado”, pois esta era casada, mas o marido estava na guerra.
Com a descrição feita pelo escritor, percebemos que aquilo que no início não passava de simples encontros fortuitos, começou a tornar-se constante, não pelo amor que sentiam, mas sim pelo desejo de Evguêni por Stepanida. Apesar disso, algum tempo depois, aquele conhece Liza Annenskaia e acaba por se apaixonar e casar com ela.
Na primeira tentativa de terem um filho, um acidente faz com que Liza perca a criança e fique com a saúde fragilizada. Liza mostra-se uma esposa exemplar, pois faz tudo para agradar ao marido, mas, certo dia, quando contrata empregadas para as limpezas de casa, Stepanida é uma delas… e a obsessão de Evguêni volta a acender-se, tornando-se um sentimento incontrolável.
Tolstói constrói uma novela que nos mostra os conflitos nas relações conjugais, a luta entre o prazer e o conforto conjugal, impondo ao homem a tarefa de decidir sobre o caminho a tomar. A história termina de uma forma drástica que mostra a vulnerabilidade da mente humana quando confrontada com os seus próprios males.
Concluindo, O Diabo foi um livro do meu agrado: trata-se de uma leitura enriquecedora que aconselho a todos, pois faz-nos refletir sobre o tipo de pessoas que somos e sobre a importância que as nossas escolhas têm na vida dos outros.
Para a minha apresentação à turma, escolhi ler Queimada Viva, de Souad. O livro veio parar-me às mãos através da minha irmã, que mo sugeriu, pois ela acha-o emocionante e gostou muito de o ler.
Queimada Viva relata a história verídica de uma rapariga de 17 anos que vive na Cisjordânia, onde os costumes e tradições são completamente diferentes dos da Europa. Souad desonrou a família, ficando grávida ainda solteira, e, como isso não era (nem é ainda) aceite na aldeia onde habitava, tentaram matá-la, regando-a com gasolina, mas ela sobreviveu… Com a ajuda de Jacqueline, foi transportada para a Europa, onde, depois de muito sofrimento e longos tratamentos, formou família e é feliz.
De todas as personagens do livro, aquela de que mais gostei foi Souad, a protagonista, que nos dá uma lição de vida, pois sobreviveu a todo o mal que lhe fizeram e conseguiu ser feliz.
Não sei escolher o momento mais interessante deste relato, uma vez que achei todo o livro cativante, gostei mesmo muito de o ler.
Esta obra fez-me refletir sobre as coisas que se passam fora do nosso país e das quais nem temos conhecimento, como as agressões a que as mulheres estão sujeitas em vários países muçulmanos, onde quem reina é o homem, só por terem a “infelicidade” de terem nascido mulheres.
Achei Queimada Viva um livro realmente muito interessante e recomendo-o, pois é emocionante e faz-nos refletir sobre os horrores que mulheres como Souad sofrem.
Cartas Vermelhas é um livro inspirador, que retrata um universo bélico a que não estamos habituados. Ao lê-lo, senti-me transportada para a época de glamour dos tempos da espionagem, com mulheres lindíssimas e homens poderosos; perigo, excitação, sensualidade, conspiração!
Carol é uma mulher de ideias fixas, que decide, por isso mesmo, ingressar no Partido Comunista. Assim começa um rebuliço de emoções, de paixões e de separações. De uma paixão com um camarada, nascerá uma filha que Carol terá de abandonar por longos anos. Com o passar do tempo e com a inevitável distância, há uma mudança na ligação mãe-filha e um quebrar dos respetivos laços afetivos. Confesso que fiquei surpreendida ao descobrir que o livro não se foca no amor de Carol por um inspetor da PIDE, como aparentava ser, mas sim num reencontro com a filha, que deixara para trás havia tantos anos.
Quanto à escrita, há uma alternância entre uma linguagem cuidada e uma linguagem simples, o que torna o livro aliciante e não maçador. Quanto ao ambiente, a escritora transporta-nos para uma época de guerra e espionagem, como já referi, mas também de muito glamour.
Gostei muito de ler Cartas Vermelhas. Escrito num estilo simples, mas muito envolvente, Ana Cristina Silva mantém o leitor interessado de uma forma constante ao longo de todo o livro. Não se trata uma leitura compulsiva, mas é muito interessante e agradável. Não há necessidade de voltar páginas atrás para recordar seja o que for, é antes uma leitura que flui e que, quando nos apercebemos, já acabou, porque a verdade é que só se para de ler no fim!
Recomendo a sua leitura!
O romance Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway, marcado por uma forte influência da cultura latina, baseia-se nas experiências vividas pelo próprio autor durante a Guerra Civil Espanhola.
A ação passa-se durante a década de 30 do século XX, numa região montanhosa, tendo como protagonista um jovem elemento das Brigadas Internacionais, de nacionalidade americana, Robert Jordan. Jordan é um soldado que se caracteriza pela sua capacidade de obedecer sem questionar as ordens, no entanto, o forte dever que o domina acaba por colidir com as vidas e respetivas histórias dos guerrilheiros que procuram auxiliá-lo na sua missão. Além disso, acontece algo que Jorden não esperava: encontra um sentido de vida para além do sentido de combate. Será Maria, uma jovem espanhola que vira a sua vida devastada pelos terrores da guerra, a personificação deste sentido de vida que aparece em Jordan num momento tão inoportuno.
Jordan revela-se, então, o palco de um combate titânico entre os seus deveres para com o sucesso da República, frágil e em risco, e os seus deveres para com Maria. Este dilema leva-o a questionar-se acerca da validade das ordens que cumpre, bem como todos os valores que construíra e pelos quais se regera durante os tempos de luta, enquanto membro das Brigadas Internacionais, enquanto simples soldado subtraído aos aspetos emocionais.
Trata-se de uma obra intemporal. Por quem os sinos dobram apresenta uma ótima construção textual, traçando uma história bem pensada, mas também com fortes raízes históricas que o autor não fez questão de esconder ou menosprezar. Passeiam-se pelas suas páginas, tanto personagens fictícias, como reais, que intervêm em acontecimentos que marcam realmente a curta e violenta vida da República Espanhola. Estes fatores, combinados com questões de ordem moral perspetivadas de acordo com a visão do protagonista, Robert Jordan, levam a que eu recomende a sua leitura, uma vez que contribui não só para o nosso enriquecimento cultural, mas até para a nossa maturação moral, ética e social.
Viagem ao fim do coração, de Ana Casaca, presenteia o leitor com a história de dois jovens cujas vidas se cruzam num momento especial.
Por um lado, temos Luísa, uma adolescente que se faz de forte, apesar das fragilidades causadas por um amadurecimento forçado e prematuro (a mãe abandonou o lar, deixando Luísa e o seu irmão recém-nascido às mãos de um pai que, embora presente, está sempre ausente emocionalmente). Por outro lado, temos Tiago, um jovem que quer abrir as suas asas e voar, mas que é “prisioneiro” por causa do imenso amor dos pais. Duas vidas que se cruzam por instantes e que se separam, para se reencontrarem dezasseis anos depois.
Tiago reencontra uma Luísa adulta, que se depara com o terrível diagnóstico de cancro. Mas ela é forte, é lutadora, pois está habituada a debater-se com dificuldades desde criança e não vai deixar esta doença vencê-la. Será que Luísa consegue sobreviver ao cancro e ficar com o amor da sua vida? Ou tudo se desmoronará quando souberem desta terrível notícia?
A escrita direta, sem floreados e crua, leva-nos numa leitura marcada pela rapidez, pela ânsia de saber o desfecho, mas com o aproximar do final das páginas o coração do leitor inquieta-se, questionando-se se o “viveram felizes para sempre” que tanto deseja será alcançado.
À medida que fui lendo Viagem Ao Fim Do Coração, identifiquei-me um pouco com a Luísa, não pela sua história de amor, mas sim pela forma como ela consegue viver a sofrer. Este é um livro marcado pelo amor, pelo passado, pelo perdão e pela luta contra uma doença que parece nunca mais ter fim.
O que eu mais apreciei neste romance foi Ana Casaca abordar o amor como ele realmente é - lindo, mas perigoso - e mostrar-nos como a vida, por vezes, “corre” por águas injustas.
Viagem ao fim do coração é um romance baseado num caso real e o facto de sabermos que, por detrás desta narrativa, está uma história verídica acrescenta uma emoção extra a cada página que lemos.
Richard Towers é fundador do projeto “livro-objeto”, que, como o próprio nome sugere, para além de conter uma história, é um objeto real funcional. Em 2011, foram lançados os dois primeiros livros-objeto (“Tempo” e “Reflexos”) e em 2012 foi editado o livro-xadrez “O Desafio”.
A singularidade destas obras reside no facto de se estabelecer uma relação de cumplicidade entre o livro e o leitor que vai para além da simples dimensão da leitura, pois jogar xadrez sobre um livro que acabou de se ler, dispor na parede um livro-relógio (com uma história sobre o tempo) ou um livro-espelho (em que a capa é cada um de nós) reveste-se de uma carga estética e de um sentido de sofisticação só apreendidos por quem é detentor desta revolucionária forma de arte.
O Desafio apresenta-nos Karpin, um jogador de xadrez imbatível. Nunca perdeu uma partida. Devido a este facto, Karpin fica aborrecido e, como não tem adversários à altura, decide deixar de jogar xadrez e passar a dedicar-se a outras coisas.
Um dia, no momento em que finalmente decide deixar a modalidade, surge um dono de um clube de xadrez que diz ter encontrado alguém que seria capaz de ganhar a Karpin. Esse tal senhor afirma não conhecer pessoalmente o jogador capaz de lhe ganhar, mas deixa-lhe uma morada na qual estaria esse suposto jogador.
Karpin dirige-se até essa morada. Sobe umas escadas, entra no nº13 e encontra uma sala vazia. No entanto, no centro da sala, está uma mesa com um tabuleiro de xadrez e as peças preparadas para uma partida.
Karpin, que julga ter sido enganado, vai até ao tabuleiro, joga um peão e abandona a sala, rumo ao clube, para pedir explicações. Após a insistência do dono do clube, Karpin volta a essa morada no dia seguinte e verifica que alguém respondeu à sua jogada. Descobre então que o seu desafio seria deslocar-se todos os dias até à morada, jogar uma peça, e alguém irá responder sempre à sua jogada.
Karpin percebe que não será fácil ganhar a alguém que não está presente, pois não será possível verificar as expressões faciais e detetar nervosismo no adversário.
Entretanto, uma série de peripécias acontecem na vida de Karpin. Este apaixona-se e verifica que há vários interessados na sua amada, o que o leva a pensar que talvez o seu adversário seja alguém desse grupo. Começa a investigar algumas pessoas e vai eliminando as possibilidades uma a uma.
Richard Towers revela uma escrita fluída, marcadamente poética, feita de imagens e de sentidos, em que a desconstrução do “eu” assume um papel central. Nessa busca constante, as personagens surgem como uma espécie de alter-ego das nossas próprias vivências.
Aparentemente, este romance tem uma ação um pouco monótona, mas, quando nos envolvemos na história, verificamos que podemos ver as coisas de uma forma diferente e, talvez, quem sabe, desvendar o mistério antes do final. Pessoalmente, gostei do livro, apesar de ser um pouco maior do que os que leio habitualmente. Diverti-me a ler O Desafio, por isso, recomendo-o a toda a gente.
Neste romance de base histórica, são apresentadas duas intrigas: uma é a da batalha dos portugueses, apoiados pelos Cruzados, contra os mouros, durante o cerco de Lisboa ocorrido em 1147; a outra é a de Raimundo Benvindo Silva, um humilde revisor de textos que, ao rever um livro sobre a história do cerco de Lisboa, acaba por cometer propositalmente um erro.
Após uma noite conturbada, Raimundo fica inquieto e acrescenta a palavra “não” a uma frase da obra que está a rever e, desta forma, altera o facto histórico. De tal alteração resultaria que os Cruzados não teriam ajudado Afonso Henriques a conquistar Lisboa aos mouros, no ano de 1147. Mas, passados treze dias, a fraude de Raimundo é descoberta. O ato cometido tem uma repercussão gigantesca na vida do protagonista, pois é a partir dele que Raimundo conhecerá Maria Sara, a diretora dos revisores, que lhe pede a criação de uma obra baseada na não-ajuda dos cruzados na tomada de Lisboa por parte dos portugueses. Com a convivência, Raimundo e Maria Sara apaixonam-se, cada um reagindo à sua maneira: ele, tomado por impulsos um tanto ou quanto juvenis; ela, de forma equilibrada e madura (apesar de ser mais jovem que ele).
A história que ele passa a escrever por sugestão de Maria Sara tem por base dois focos: a questão histórica e a questão amorosa. Sobre a primeira, Raimundo conta o cerco dos portugueses a Lisboa, em 1147, sem a ajuda dos cruzados. Em relação à segunda, ele desenvolve a história de amor entre Mogueime e Ouroana, que, de certa forma, representa a paixão que Raimundo vivia com Maria Sara.
A História do Cerco de Lisboa desenrola-se em diferentes planos: a história real do cerco de Lisboa; a história criada por Raimundo, gerada a partir da alteração; e a do narrador, a única a que temos de facto acesso. A pontuação e a narração em diferentes planos são as características mais inusitadas da obra.
Saramago é conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional (aparentemente incorreta aos olhos dos puristas). Muitas das suas "sentenças" ocupam mais de uma página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos ocupariam capítulos inteiros de outros autores. Tais características tornam o estilo de Saramago único na literatura contemporânea: é considerado, por muitos críticos, um mestre no tratamento da língua portuguesa.
A narração da tomada de Lisboa aos mouros adota características de romance histórico, visíveis principalmente nas descrições das realidades medievais, islâmicas e cristãs.
Pelo exposto, recomendo a leitura de qualquer obra do nosso Nobel, em particular da História do Cerco de Lisboa!
"Prometes?"
"Eu prometo que já fomos o infinito."
Esta história começa com o casal Afonso e Inês a dialogar sobre o seu relacionamento. Nessa conversa, partilham o que sentem um pelo outro e ambos fazem promessas do amor para sempre (daí o título do livro). Algum tempo depois, Inês confessa que pode ver o futuro e que, por causa desse dom, não consegue lembrar-se do passado. Explica, também, que este “castigo” passou de Afonso para ela no momento em que se apaixonou por ele e a ele se entregou de corpo e alma. Inês confidencia que uma das visões que teve foi a da sua própria morte. Conhecedora de que Afonso vê o futuro, Inês acredita também que ele já tinha previsto a morte da namorada e que talvez ele fosse a única pessoa que pudesse alterar o seu destino e salvá-la.
Passam-se dias de uma vida e de uma rotina típicas de um casal, até que, uma noite, Inês foi sair com suas amigas Sara e Margarida e traiu Afonso. Inês arrependeu-se no mesmo momento do “crime”, confessando a Sara que tinha que aproveitar a vida enquanto podia, mas a sua amiga não perceber o sentido daquelas palavras.
Depois de algumas visões e de intervenções mal sucedidas no futuro dos amigos, Afonso descobre que pode alterar o destino, vendo aí uma hipótese de mudar o futuro de Inês. Afonso começou a ter visões muito frequentes sobre a morte de Inês, e, com medo de a perder para um futuro infinito e com vontade de a amar por mais tempo, promete a si mesmo que vai salvá-la de uma morte terrível. Foca-se, então, na visão da morte de Inês e começa a anotar tudo o que vê, a forma como ela está vestida, tudo o que ouve… aponta cada detalhe que possa ser fundamental para a salvar a mulher que ama e segue cada pista presente nas suas visões.
O final é surpreendente, em todos os sentidos, e a escrita que os autores usam é “leve”, misturando, por exemplo, o calão com o inglês, o que dá a sensação de que são adolescentes a falar.
Retratando o amor como algo muito importante na vida de alguém, esta obra fez-me pensar em todas as decisões que tomei e que ainda tomarei, e fez-me concluir que, para ser feliz, basta ser eu mesma. Aprendi ainda que o nosso maior infinito é sermos nós e outros valores que eu desconhecia. Por tudo isto, eu adorei o romance Prometes? E recomendo “infinitamente” a sua leitura.
"A perfeição é sermos infinitos num instante único, antes de sermos únicos para sempre."
Os Jogos da Fome – A Revolta é o último volume da trilogia escrita por Suzanne Collins.
Neste último livro, Katniss é vista como um símbolo de revolução e, apesar de não compreender porque é que a população a vê como tal, aceita este papel, já que é a única maneira de encontrar Peeta, de destruir o Capitólio e, desta forma, acabar com os Jogos da Fome.
É também referido o triângulo amoroso criado já no primeiro livro, no entanto, ao longo deste volume, as três personagens – Katniss, Peeta e Gale – encontram-se mais unidas e com o mesmo objetivo. No final, a heroína não toma uma decisão exata sobre com quem quer ficar, mas deixa bastante claro quem é para ela a pessoa mais importante no momento, o seu amigo Peeta.
Ao longo da ação, são várias as surpresas que a autora apresenta, dando resposta a situações misteriosas do livro anterior, onde foi apresentado um final surpreendente e inesperado.
Os três capítulos deste volume (“As Cinzas”, “O Assalto” e “A Assassina”) caracterizam-se pelo suspense, ação e amor. Encontramos também comportamentos muito diferentes em algumas das personagens e mortes inesperadas.
Gostei bastante deste livro, ainda que, relativamente ao segundo, seja uma história menos dinâmica, mas que não deixa de surpreender a cada página e, por isso, recomendo-o a todos os jovens apaixonados por literatura de ação e aventura.